Sobreviventes de cancro: maior risco para futuros bebés?

Estudo publicado na revista “JAMA Oncology”

28 março 2017
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Uma equipa de investigadores conduziu um estudo que associou a sobrevivência ao cancro a riscos para a saúde dos futuros recém-nascidos das sobreviventes.
 
O estudo liderado por Hazel B. Nichols, professora assistente na Escola de Saúde Pública Global Gillings na Universidade da Carolina do Norte, EUA, teve como base dados de certidões de nascimento da Carolina do Norte.
 
A equipa focou a sua análise em pacientes que tinham sido diagnosticadas com cancro entre os 15 e 39 anos, de 2000 a 2013. Analisaram os resultados em termos de saúde dos primeiros filhos dessas pacientes sobreviventes, tendo no total identificado 2.500 bebés.
 
Foi apurado que os filhos de sobreviventes de cancro apresentavam uma maior propensão de nascerem prematuros (13%), ou seja, antes das 37 semanas de gestação, do que as mulheres que não tinham tido cancro (9%). Embora a diferença seja pequena, não deve ser ignorada, segundo a autora principal do estudo.
 
Hazem Nichols lembra que os bebés prematuros têm mais tendência a ter complicações de saúde, embora isso não se aplique a todos os bebés prematuros.
 
Outra conclusão do estudo foi o facto de os bebés de sobreviventes de cancro apresentarem uma maior possibilidade de nascerem com baixo peso e através de cesariana. 
 
Relativamente aos tipos de cancro, a equipa descobriu que as sobreviventes de cancro da mama apresentavam o dobro do risco de terem um parto prematuro em relação às mulheres que não tinham tido cancro.
 
As mulheres que tinham sobrevivido a um linfoma de Hodgkin apresentavam um risco 60% superior de terem um parto prematuro, mais ou menos o dobro do risco com linfoma sem ser de Hodgkin e o triplo do risco com cancros ginecológicos em relação às mulheres que não tinham sofrido a doença.
 
As mulheres que tinham tido um diagnóstico de cancro durante a gravidez apresentavam também um maior risco de parto prematuro e de terem um recém-nascido com baixo peso. Isso poderá ser devido ao facto de terem tido o parto mais cedo para iniciarem os tratamentos com a máxima rapidez possível. 
 
Relativamente ao tipo de tratamento, foi apurado que as mulheres que tinham recebido quimioterapia apresentavam maior propensão para partos prematuros e por cesariana. 
 
Embora estes achados sejam preocupantes, a autora principal do estudo ressalva que “o que é empolgante sobre este trabalho é o facto de termos identificado milhares de mulheres que tiveram um filho após terem sido diagnosticas com cancro e recebido tratamento”. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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