Só metade dos pais goza licença de paternidade

Lei recente e mentalidades implantadas são a origem da situação

23 março 2004
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  Apenas metade dos pais portugueses gozam os cinco dias a que têm direito após o nascimento de um filho, segundo dados estatísticos. Esta realidade pode estar relacionada com o desconhecimento da lei, algum machismo e uma estrutura social ancestral. De acordo com os últimos dados disponíveis do Ministério da Segurança Social e do Trabalho, no primeiro semestre de 2003 apenas 49 por cento dos pais requereram o subsídio de paternidade pelos cinco dias a que têm direito, um pouco mais do que os 41,7 por cento que o fizeram em 2002. «Estes dados revelam que a questão do nascimento de um bebé pode ser entendida como uma atitude de reconhecimento e honra à mãe, mas pode, por outro lado, significar uma atitude machista, que responsabiliza o lado feminino pelos cuidados com a criança», disse à agência Lusa o sociólogo Paquete de Oliveira. Noutra leitura, o sociólogo adianta que os números podem também revelar que os homens, dentro do mesmo sentido machista, «não querem ceder nos seus compromissos profissionais para desempenhar novos afazeres familiares». A análise dos dados disponíveis mostra que os pais residentes no distrito de Braga são os que mais utilizam os cinco dias de licença de paternidade (70,8 por cento), seguido dos de Viseu (63,2 por cento) e dos do Porto (56,6 por cento). No Norte do país a licença de paternidade é mais usada do que no Sul, talvez devido à crença religiosa, que é também mais predominante a Norte, na opinião de Paquete de Oliveira. Depois do Porto, Santarém é o distrito com mais pedidos de licença de paternidade (56,3 por cento), seguido de Castelo Branco (54,7 por cento) e Viana do Castelo (54,2 por cento). Ainda para justificar todo este panorama, Paquete de Oliveira considera que não se deve ainda excluir a ignorância da lei por muitas famílias, sobretudo tendo em conta alguns estratos sociais. «A lei é recente e ainda não entrou nos hábitos dos portugueses», além de «conceder uma igualdade que os costumes sociais também ainda não adoptaram», adianta.Fonte: Lusa

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