Sistema nervoso: qual o papel na saúde intestinal?

Estudo publicado na revista “Nature”

15 julho 2016
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Investigadores portugueses analisaram a rede de células nervosas residentes no intestino e descobriram “um processo inédito” que protege os tecidos intestinais contra a inflamação e as agressões microbianas e as combate quando surgem, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

Os investigadores do Instituto de Medicina Molecular (IMM) descobriram este mecanismo no intestino dos ratinhos, tendo verificado que este funciona sob o controlo do sistema nervoso intestinal. As células do sistema nervoso recebem sinais do intestino e dão instruções específicas ao sistema imunitário para reparar os danos.
 

O coordenador da investigação, Henrique Veiga-Fernandes, referiu que “o sistema nervoso funciona como os 'olhos e ouvidos' do sistema imunitário”.
 

Estudos anteriores já tinham constatado que havia uma relação entre os neurónios do intestino e o sistema imunitário. Um estudo da Universidade de Rockefeller, nos EUA, apurou que determinados neurónios conseguem induzir certas células imunitárias, os macrófagos, a produzir substâncias protetoras do intestino.
 

Contudo, segundo a notícia avançada pela agência Lusa, o investigador refere que há um facto “completamente novo" na investigação que conduziu: "Não só desvendámos o fenómeno em si, mas também descrevemos os mecanismos moleculares que estão em jogo".
 

"Identificámos uma 'troica' multicelular [linfócitos inatos, células da glia, células do epitélio intestinal], orquestrada por fatores neurotróficos, que protege o intestino" e “constatámos que a alteração deste eixo celular e molecular conduz à doença inflamatória intestinal e à incapacidade de eliminar as infeções", refere.
 

Estes achados poderão conduzir a novas estratégias preventivas e terapêuticas contra a inflamação intestinal crónica, como a doença de Crohn ou colite ulcerosa, e contra o cancro intestinal.
 

“Atualmente, tenta-se controlar a inflamação crónica do intestino com medicamentos supressores da imunidade, mas a ativação das células da glia poderá permitir reparar mais eficazmente o tecido intestinal”, refere Henrique Veiga-Fernandes.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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