Sistema imunológico: descobertos milhares de novos sinais

Estudo publicado na revista “Science”

25 outubro 2016
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Uma equipa internacional de cientistas descobriu milhares de novos sinais do sistema imunológico que podem ter implicações na imunoterapia, nas doenças autoimunes e desenvolvimento de vacinas. Os investigadores do estudo publicado na revista “Science” referem que é o equivalente a se ter descoberto um novo continente.
 
As células decompõem frequentemente as proteínas do nosso organismo e de outros organismos estranhos, como é o caso das bactérias e vírus. Os pequenos fragmentos destas proteínas, os epítopos, estão presentes na superfície das células para que o sistema imunológico as possa avaliar. No caso de serem reconhecidos como estranhos, o sistema imunológico irá destruir as células com o intuito de impedir uma possível disseminação da infeção. 
 
Neste estudo, os investigadores do Imperial College London, no Reino Unido, da Universidade de Berlim, na Alemanha, do Instituto de Alergia e Imunologia LaJolla, nos EUA, e da Universidade de Utrecht, na Holanda, constataram que cerca de um terço dos epítopos eram do tipo “emendados” (do inglês, spliced). Acreditava-se que este tipo de epítopos eram raros, contudo, neste estudo, foram identificados milhares destes epítopos, através de um novo método que permitiu o mapeamento da superfície das células e a identificação de um grande número destas estruturas previamente desconhecidas. 
 
Michael Stumpf, um dos coautores do estudo, referiu que é como se um geógrafo tivesse descoberto um novo continente ou, um astrónomo, um novo planeta no sistema solar.
 
Na sua opinião, esta descoberta pode não apenas conduzir ao um conhecimento mais profundo do funcionamento do sistema imunológico, mas também sugere novas vias para o desenvolvimento de terapias, fármacos e vacinas.
 
Os investigadores acreditavam que a maquinaria das células criava peptídeos sinalizadores mediante o corte de fragmentos na sequência proteica e sua posterior exposição à superfície das células. Contudo, a maquinaria celular também é capaz de criar peptídeos emendados, uma vez que corta dois fragmentos com diferentes posições na proteína e coloca-os juntos, criando uma nova sequência. 
 
Apesar de saberem da existência dos epítopos emendados, os investigadores achavam que estes eram raros. Contudo, o estudo sugere que um quarto dos epítopos são emendados e representam cerca de 30 a 40% da diversidade.  
 
Estes epítopos adicionais fornecem ao sistema imunológico mais possibilidade de detetar a doença. No entanto, como estes epítopos são constituídos por sequências mistas também se podem sobrepor às sequências de sinalizadores saudáveis e ser identificados erradamente como prejudiciais. 
 
Estes resultados podem ajudar a entender melhor as doenças autoimunes, onde o sistema imunológico ataca os tecidos saudáveis, como acontece na diabetes tipo 1 e esclerose múltipla. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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