Sistema imunológico afeta evolução das bactérias intestinais

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

07 dezembro 2015
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Investigadores portugueses descobriram que quando o sistema imunológico do hospedeiro está comprometido a composição da flora intestinal fica alterada e o ritmo e previsibilidade do processo de adaptação das bactérias são afetados, revela um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 
A nossa saúde está muito dependente da diversidade da flora intestinal e como o sistema imunológico a tolera ou respondem às bactérias patogénicas para impedir o desenvolvimento de doenças.
 
Neste estudo os investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência, em Portugal, demonstraram, pela primeira vez, que o sistema imunológico influencia a evolução das bactérias intestinais. 
 
O intestino é um ambiente altamente complexo, e as bactérias do intestino necessitam de se adaptar e evoluir para lidar de forma eficaz com diferentes estímulos, incluindo a dieta diversificada que é ingerida todos os dias. Isto origina uma maior diversidade de bactérias no intestino, que necessita de ser verificada pelo nosso mecanismo de vigilância, o sistema imunitário, de modo a evitar o desenvolvimento de doenças. 
 
Já há algum tempo que se sabe que as patologias surgem quando o sistema imunológico falha e a comunidade das bactérias intestinais é afetada. Contudo, ainda não se tinha provado que havia uma ligação direta ou indireta entre o sistema imunológico e a evolução das bactérias.
 
Para o estudo os investigadores, liderados por Isabel Gordo e Jocelyne Demengeot, avaliaram como a Escherichia coli, uma das primeiras bactérias a colonizar o intestino ao nascimento, evoluiu em ratinhos saudáveis e em ratinhos sem um tipo de células do sistema imunológico, os linfócitos.
 
Os investigadores observaram que nos animais saudáveis ocorriam adaptações metabólicas rápidas à dieta. No entanto, nos ratinhos com o sistema imunológico comprometido estas alterações ocorriam mais lentamente. 
 
O estudo apurou que ocorreram o mesmo tipo de adaptações benéficas na maioria dos ratinhos saudáveis. Contudo, os animais sem linfócitos apresentaram uma grande variabilidade, sendo por isso difícil prever o curso da evolução das bactérias nestes ratinhos.
 
"Observámos que esta característica é resultante das alterações na composição da comunidade de bactérias intestinais, que é mais semelhante nos ratinhos com um sistema imunitário saudável, e é bastante diversificada nos animais com um sistema imune comprometido”, revelou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, João Batista.
 
"O nosso trabalho demonstra que é possível prever a evolução de bactérias comensais em organismos saudáveis, mas o mesmo não é verdade para os organismos com problemas no sistema imunitário. Assim, a utilização de terapias generalistas para tratar as pessoas que sofrem de patologias do intestino resultantes de um sistema imunitário deficiente, como a doença inflamatória do intestino, não é a melhor abordagem. Alternativamente, devem ser consideradas as terapias baseadas na medicina personalizada, de acordo com a composição de bactérias do intestino de cada indivíduo”, conclui, Isabel Gordo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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