Sistema imunitário influencia personalidade?

Estudo publicado na revista “Nature”

18 julho 2016
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O sistema imunitário afeta diretamente e pode até mesmo controlar o comportamento social, como o desejo de interagir com outras pessoas, sugere um estudo publicado na revista “Nature”.
 

Jonathan Kipnis, um dos autores do estudo, refere que se acreditava que o cérebro e o sistema imunitário estavam isolados um do outro e que a atividade imunitária no cérebro era sinal de uma patologia. ”Agora, não só demonstrámos que estão intimamente ligados, como também que os nossos traços comportamentais evoluíram devido à resposta do sistema imunitário aos agentes patogénicos. Parte da nossa personalidade pode, de facto, ser ditada pelo sistema imunitário”, refere o investigador.
 

Na opinião dos cientistas da Universidade de Virgínia, nos EUA, a relação entre as pessoas e os agentes patogénicos pode ter afetado diretamente o desenvolvimento das nossas interações sociais necessárias para a sobrevivência das espécies. Por outro lado, esta relação pode também ter afetado a forma como o sistema imunitário protege o organismo de doenças que acompanham essas interações. Os agentes patogénicos têm todo o interesse no comportamento social uma vez que permite que estes se disseminem.
 

O estudo apurou que uma molécula imunitária específica, o interferão gama, parece desempenhar um papel importante no comportamento social. Vários animais, desde moscas, peixes-zebra, ratinhos e ratos ativam este tipo de resposta quando estão a socializar.
 

Habitualmente, esta molécula é produzida pelo sistema imunitário em resposta às bactérias, vírus ou parasitas. Verificou-se que o bloqueio do interferão gama conduziu à hiperatividade de algumas regiões cerebrais e fez com que os ratinhos ficassem menos sociais.
 

Anthony J. Filiano, um outro autor do estudo, refere que ao longo da evolução o interferão gama tem sido utilizado para promover a socialização como também para aumentar a resposta imunitária contra os agentes patogénicos.
 

Os autores do estudo referem que um mau funcionamento do sistema imunológico pode ser responsável por défices sociais em vários distúrbios neurológicos e psiquiátricos. No entanto, não se sabe exatamente o que isto pode significar no que diz respeito nomeadamente ao autismo e outras condições específicas, sendo por isso necessário uma investigação mais aprofundada.
 

É pouco provável que uma molécula específica seja responsável pela doença ou a chave da cura, as causas parecem ser mais complexas. Contudo, a descoberta de que o sistema imunológico e, possivelmente, os agentes patogénicos podem controlar as interações sociais levanta muitas vias prometedoras que os cientistas podem explorar, tanto ao nível dos distúrbios neurológicos, como também na compreensão do comportamento humano.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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