Sistema imunitário está envolvido na génese da ansiedade crónica

Estudo da Universidade do Porto

18 outubro 2016
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Uma nova família de antidepressivos com efeitos terapêuticos diferentes dos já existentes está a ser desenvolvida por um consórcio internacional liderado por investigadores do Instituto de Investigação e Inovação da Universidade do Porto (i3S).
 

Marta Mendes, coordenadora da equipa portuguesa, referiu à agência Lisa que, “o composto que é o ponto de partida para o desenvolvimento dos novos antidepressivos", denominado tacrolimus, "encontra-se no mercado como medicamento genérico e sob várias formas farmacêuticas.
 

Na prática clínica, este composto é utilizado como "imunossupressor em pacientes submetidos a transplante (particularmente de rim e fígado) para controlar a resposta imunológica e evitar a rejeição do órgão transplantado".
 

A investigadora explicou que os mecanismos biológicos subjacentes aos diferentes quadros de depressão não estão completamente elucidados. Os trabalhos existentes na área sugerem que se trata "de uma cascata de processos de sinalização que, em última instância, provocam um desequilíbrio nos níveis das moléculas (neurotransmissores) responsáveis pela transmissão de informação entre as células nervosas (neurónios)".
 

De acordo com Marta Mendes, "a maioria dos antidepressivos existentes atuam sobretudo nos últimos passos desta cascata, de forma a normalizar os níveis dos neurotransmissores e assim aliviar os sintomas de depressão".
 

Com base em dados experimentais, "é expectável" que os novos compostos venham a atuar "em alvos (proteínas) a montante nesta cascada e que têm sido associados a certos quadros de ansiedade e depressão. Em teoria, a atuação mais cedo na cascada de sinalização poderá tornar estes medicamentos mais eficientes", referiu ainda.
 

O consórcio internacional Tacrodrugs, constituído por sete de Portugal, de Espanha, da Alemanha e da Noruega, foi um dos vencedores do sétimo concurso ERA-IB-2, uma rede financiada ao abrigo do 7.º Programa Quadro, que procura identificar as melhores práticas como base para a cooperação necessária na implementação do Espaço Europeu de Investigação (ERA).
 

A equipa do i3S, que conta com cinco investigadores, pretende "otimizar a produção das próprias bactérias, para que assim seja possível produzir em maior quantidade e tornar esse composto rentável para a indústria farmacêutica".
 

Este trabalho vai ser desenvolvido através da utilização de técnicas de biologia sintética para a manipulação genética de bactérias produtoras de compostos naturais.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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