Sistema imune dos recém-nascidos mais forte do que se pensava

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

24 setembro 2014
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Apesar de o sistema imunitário dos recém-nascidos funcionar de forma diferente da dos adultos, os bebés são capazes de montar uma defesa imune forte, sugere um estudo publicado na revista “Nature Medicine”.
 

O sistema imunológico é constituído por diferentes tipos de células, incluindo os neutrófilos que desempenham um papel importante na primeira linha de defesa contra infeções e os linfócitos. Este último tipo de células engloba os linfócitos B que produzem anticorpos e os linfócitos T que têm por alvo células infetadas por vírus e bactérias.
 

Até há pouco tempo pensava-se que os bebés tinham um sistema imunológico imaturo que não era capaz de despoletar uma resposta inflamatória semelhante à observada em adultos. Apesar de os bebés necessitarem de se proteger dos patogénios aos quais estão expostos desde o nascimento, acreditava-se que os linfócitos T eram suprimidos para impedir danos inflamatórios.
 

Contudo, a equipa de investigadores liderada pelo King's College London, no Reino Unido, decidiu caracterizar as propriedades dos linfócitos T, tendo analisado amostra de sangue de 28 bebés, ao longo das primeiras semanas de vida.
 

O estudo apurou que apesar das células T dos recém-nascidos serem diferentes das dos adultos, isto não ocorria por estas serem imunossuprimidas. Na verdade foi verificado que estas produziam uma potente molécula antibacteriana, a IL-8, que não tinha sido previamente associada aos linfócitos T, e que ativava os neutrófilos para combater agentes invasores.
 

“Descobrimos que os bebés têm um potente mecanismo de defesa antibacteriano que funciona de forma diferente da dos adultos, mas que pode ser na mesma eficaz. Este pode ser também um mecanismo através do qual os bebés se protegem no útero de infeções contraídas pelas mães”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Deena Gibbons.
 

Esta atividade das células T pode tornar-se num alvo de tratamentos futuros, que tenham como objetivo estimular o sistema imune de recém-nascidos internados nos cuidados intensivos, onde a infeção é um grande risco para a morbidade e mortalidade. Os bebés prematuros apresentam também um risco aumentado de desenvolver doenças inflamatórias como a enterocolite necrosante, em que a inflamação severa destrói tecidos do intestino.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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