Sistema imune: como é capaz de se defender contra agressores tão distintos?

Estudo publicado na revista “Science”

28 janeiro 2015
  |  Partilhar:

Investigadores suíços decifraram a linguagem de um tipo de células do sistema imune, os linfócitos T, que estão envolvidas na proteção do organismo contra patogénios e tumores, dá conta um estudo publicado na revista “Science”.
 

O segredo da capacidade do organismo de se defender contra agressores tão diversos como vírus, parasitas, fungos e tumores reside num vasto número de clones de linfócitos T e B, os quais expressam recetores específicos.
 

Até há alguns anos atrás considerava-se impossível decifrar este vasto e complexo reportório. Faltava encontrar a chave para conseguir traduzir e entender este tipo de linguagem. Contudo, graças ao desenvolvimento de novos métodos de sequenciação do ADN, atualmente é possível obter milhões de sequências que funcionam como “cartão de identidade” dos linfócitos.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Lugano, na Suíça, utilizaram uma nova abordagem para decifrar a linguagem dos linfócitos T. Pela primeira vez, os investigadores, liderados por Federica Sallusto, estabeleceram um catálogo completo da resposta imunológica aos patogénios e vacinas. Em particular, foram catalogados todos os clones que respondem a um microrganismo específico, tendo sido determinadas as suas especificidades e propriedades funcionais, nomeadamente a sua capacidade de produzir mediadores inflamatórios (citoquinas) ou de migrar para diferentes tecidos.
 

Federica Sallusto explica que através desta nova abordagem é possível decifrar a linguagem dos linfócitos T, ou seja a sua identidade, especificidade e função. “Podemos fazê-lo em milhares de clones que medeiam a resposta imune contra microrganismos e vacinas”, explicou.
 

A investigadora acredita que desta forma foi possível descobrir que quando um linfócito naive (que nunca teve contacto com proteínas presentes nos agentes agressores) reconhece um patogénio e prolifera de modo a erradicá-lo, a sua descendência pode ter vários destinos. Estes incluem adquirir a capacidade de produzir diferentes citoquinas ou migrarem para diferentes tecidos do organismo.
 

Federica Sallusto conclui que esta extrema flexibilidade dos linfócitos T ajuda a explicar como o sistema imune é capaz de responder aos ataques de agentes estranhos através da utilização de diferentes armas e em locais tão distintos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.