Sistema cerebral compensa sintomas de doenças do neurodesenvolvimento

Estudo publicado na revista “Neuroscience and Biobehavioral Reviews”

18 fevereiro 2015
  |  Partilhar:

Os indivíduos com doenças do neurodesenvolvimento como distúrbio do espectro autista, doença obsessiva compulsiva, síndrome de Tourette, dislexia e falhas de linguagem específica, parecem compensar a disfunção através com um sistema do cérebro, poderoso e ágil, conhecido como memória declarativa, dá conta um estudo publicado na revista “Neuroscience and Biobehavioral Reviews”.
 

Este sistema de compensação permite que os indivíduos com autismo aprendam a lidar com as situações sociais, ajuda os indivíduos com doença obsessiva compulsiva e síndrome de Tourette a controlar os tiques e compulsões e fornece estratégias para ultrapassar dificuldades de linguagem e leitura nos indivíduos diagnosticados com dislexia, autismo ou falhas de linguagem específica.
 

“Existem múltiplos sistemas de aprendizagem e memória, mas a memória declarativa é a super estrela”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Michael Ullman.
 

De acordo com o investigador, a memória declarativa é extremamente flexível e pode aprender sobre qualquer coisa. Deste modo pode aprender qualquer tipo de estratégias compensatórias e pode mesmo assumir o controlo dos sistemas que estão afetados.
 

"No entanto, na maioria dos casos, a memória declarativa não consegue substituir na perfeição os sistemas originais, uma razão pela qual os indivíduos com estas doenças continuam a ter problemas apesar da compensação”, acrescentou Michael Ullman.
 

O facto de se saber que os indivíduos com esta doença podem confiar na memória declarativa permite desenvolver novas formas de melhorar o diagnóstico e tratamento destas condições. O investigador explica que os tratamentos podem ser melhorados de duas formas. Por um lado, o desenho de tratamentos que tenham por alvo a memória declarativa ou que aumentem a aprendizagem através deste sistema poderão aumentar a compensação. Por outro lado, os tratamentos desenvolvidos para evitar a compensação através da memória declarativa podem fortalecer os sistemas disfuncionais.
 

O estudo refere ainda que a compensação conseguida através da memória declarativa pode também ajudar a perceber por que motivo os rapazes são diagnosticados com estas doenças mais frequentemente que as raparigas.
 

Estudos anteriores sugeriram que, de uma forma geral, as raparigas e mulheres utilizam melhor  a memória declarativa do que os rapazes e homens. Desta forma as mulheres são capazes de compensar mais eficazmente do que os homens.
O estudo refere ainda que a memória declarativa pode também compensar disfunções de outras doenças, como défice de atenção e hiperatividade, afasia ou doença de Parkinson.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.