Sintomas de doença: uma forma evolutiva de conter a disseminação?

Estudo publicado na revista “PLoS Biology”

11 janeiro 2016
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Quando nos sentimos com febre, nariz entupido ou com uma tremenda dor de cabeça o nosso organismo está a informar que é necessário ficar em casa de cama. O estudo publicado na revista “PLoS Biology” sugere que o fato de as pessoas se sentirem doentes é uma adaptação evolutiva que tem como objetivo impedir que a doença seja disseminada.
 

Na opinião dos investigadores do Instituto Weizmann da Ciência, em Israel, tende-se a tomar como certo que a infeção é o que causa os sintomas da doença, assumindo que a invasão microbiana colide diretamente com o bem-estar. Na verdade, muitos dos sistemas do nosso corpo estão envolvidos no facto de um indivíduo estar doente, nomeadamente o sistema endócrino e sistema imunológico, assim como o sistema nervoso.
 

Adicionalmente, o comportamento que associamos à doença não está limitado aos humanos. Alguns dos comportamentos de doença podem também ser encontrados em insetos sociais como as abelhas, que normalmente abandonam a colmeia para morrerem noutro lugar quando estão doentes. Ao que parece o comportamento parece ter sido preservado ao longo de milénios de evolução.
 

Os sintomas que acompanham a doença parecem afetar negativamente a possibilidade de sobrevivência e reprodução. Na verdade os sintomas não são uma adaptação que funciona ao nível do indivíduo. Os investigadores sugerem que a evolução está a funcionar num nível que denominaram por "gene egoísta".
 

“Apesar do organismo individual poder não sobreviver à doença, o isolamento do seu ambiente social irá reduzir a taxa global de infeção no grupo. Do ponto de vista do indivíduo, este comportamento pode parecer excessivamente altruísta, mas tendo em conta a perspetiva do gene, a probabilidade de ser transmitido é melhorada”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Keren Shakhar.
 

Os investigadores analisaram uma vasta lista de sintomas, e todos parecem de facto suportar a hipótese colocada. A perda de apetite, por exemplo, impede a disseminação da doença através da partilha de alimentos ou recursos de água. A fadiga e fraqueza podem diminuir a mobilidade do indivíduo infetado, reduzindo o raio de uma possível infeção. Juntamente com os sintomas, o indivíduo doente pode tornar-se deprimido e perder o interesse em manter contacto social e sexual, limitando novamente as oportunidades de transmissão dos agentes patogénicos.
 

Um dos autores do estudo, Guy Shakhar, refere também que se sabe que o isolamento é a forma mais eficaz de impedir que uma doença transmissível se dissemine. O problema é que atualmente, por exemplo, com gripe, muitos não percebem quão mortal esta pode ser. Desta forma muitas pessoas vão contra os seus instintos naturais e tomam comprimidos para reduzir a dor e febre e vão trabalhar, aumentando desta forma a probabilidade de infetar outras pessoas.

 

Na opinião dos investigadores quando as pessoas se sentem doentes é um sinal que devem ficar em casa. Milhões de anos de evolução não estão errados!
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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