Sintomas de autismo associados a alterações na química do cérebro

Estudo publicado na revista “Current Biology”

23 dezembro 2015
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Investigadores americanos descobriram uma relação direta entre os sintomas de autismo e a ação reduzida de um neurotransmissor inibitório denominado por GABA, cuja principal função é diminuir a atividade neuronal do cérebro, refere um estudo publicado na revista “Current Biology”.
 
Este estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Harvard e do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT, sigla em inglês), nos EUA, sugere que os fármacos que aumentam a concentração do GABA podem ajudar no tratamento do autismo.
 
Estudos genéticos e realizados em animais tinham sugerido que o GABA desempenhava um papel importante na sinalização do autismo, mas ainda não havia uma evidência direta empírica nos humanos. Foi também demonstrado que os indivíduos com perturbações do espectro autista são mais lentas num fenómeno denominado por rivalidade binocular, que se sabe que envolve a inibição do cérebro.
 
Na rivalidade binocular, são apresentadas simultaneamente duas imagens conflituosas, uma a cada olho. Para distinguir uma imagem da outra, o cérebro tem de inibir sinais neuronais para eliminar uma imagem da consciência visual. Tipicamente, as pessoas suprimem uma imagem durante muitos segundos. Por outro lado, os indivíduos com autismo têm dificuldades em suprimir imagens visuais.
 
Neste estudo os investigadores decidiram avaliar se esta dificuldade poderia estar associada a diferenças nos níveis de GABA nos indivíduos com autismo. Foi pedido a 21 pacientes com autismo e a 20 indivíduos saudáveis para realizarem uma tarefa de rivalidade binocular. Tal como era esperado, os pacientes com autismo foram mais lentos a suprimir as imagens visuais.
 
Posteriormente, os investigadores utilizaram espetroscopia de ressonância magnética para medir as concentrações de GABA, enquanto os indivíduos realizavam a tarefa. Verificou-se que nos indivíduos controlo havia uma ligação forte entre a rivalidade binocular e os níveis de GABA. Esta ligação entre a perceção e o GABA estava completamente ausente no cérebro dos pacientes com autismo.
 
“Os indivíduos com autismo são conhecidos por terem a perceção visual orientada aos detalhes, apresentando uma atenção notável aos pequenos detalhes no ambiente sensorial e dificuldades para filtrar ou suprimir informação sensorial irrelevante. Há muito que se pensava que isto poderia estar associado à inibição do cérebro, e os nossos resultados apoiam esta ideia”, revelou, em comunicado de imprensa, um das autoras do estudo, Caroline Robertson.
 
Os investigadores estão já a analisar a dinâmica da rivalidade binocular nas crianças com autismo e a potencialidade deste fenómeno funcionar como um marcador precoce da doença.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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