Síndrome dos ovários poliquísticos associada a problemas mentais

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

05 novembro 2015
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Investigadores suecos identificaram o mecanismo hormonal que poderá explicar por que motivo as mulheres com síndrome dos ovários poliquísticos apresentam um risco elevado de desenvolver sintomas de doença mental, como ansiedade e depressão, na idade adulta, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 
A síndrome dos ovários poliquísticos afeta mais de uma mulher em cada dez na idade fértil, e é caracterizada por pequenos folículos num ou nos dois ovários, níveis elevados de testosterona no sangue e períodos irregulares. Estas mulheres também têm problemas de obesidade e resistência à insulina, tendo por isso um risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2. As mulheres com síndrome dos ovários poliquísticos são também mais propensas a terem problemas de saúde mental.
 
“Mais de 60% destas mulheres são diagnosticadas com pelo menos um sintoma psiquiátrico, como ansiedade, depressão ou um distúrbio alimentar, e o suicídio é muito mais comum entre estas mulheres do que nas saudáveis”, revelou, em comunicado de imprensa uma das autoras do estudo, Elisabet Stener-Victorin.
 
Estudos anteriores já tinham constatado que as filhas das mulheres com síndrome dos ovários poliquísticos são também mais propensas a desenvolver esta condição, enquanto os filhos tendem a ter problemas de obesidade e resistência à insulina. Tem-se assumido que uma das causas é a grande exposição intrauterina a hormonas masculinas, androgénios, através do sangue da mãe. Contudo, o mecanismo biológico não tinha sido, até à data, completamente clarificado.
 
Neste estudo os investigadores do Instituto Karolinska, na Suécia, analisaram o que ocorria quando ratinhos fêmeas e os fetos eram expostos a doses excessivas de testosterona, de forma a mimetizar as mulheres grávidas com síndrome dos ovários poliquísticos. Os investigadores estudaram o impacto na placenta e no crescimento fetal e monitorizaram a descendência, de ambos os sexos, até à idade adulta, quando o comportamento foi testado.
 
O estudo apurou que tanto na descendência masculina como na feminina, a exposição à testosterona na fase fetal tardia conduzia a um aumento de comportamentos semelhantes à ansiedade, na idade adulta. Experiências posteriores demonstraram que a testosterona exerce o maior efeito na amígdala, uma região do cérebro envolvida na regulação das emoções e comportamento associado a emoções positivas e negativas.
 
Os investigadores encontraram alterações na atividade de um gene que regula o recetor do androgénio na amígdala da descendência, nos recetores de um tipo de estrogénio e em genes que regulam a serotonina e GABA, substâncias sinalizadoras no cérebro conhecidas pelo seu envolvimento na regulação do comportamento ansioso.
 
Os nossos resultados indicam um mecanismo biológico, até à data desconhecido, que pode ajudar a perceber porque os filhos e filhas das mulheres com síndrome dos ovários poliquísticos desenvolvem ansiedade na idade adulta”, concluiu a investigadora. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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