Síndrome do ovário poliquístico: resveratrol pode ajudar no desequilíbrio hormonal

Estudo publicado no “Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism”

21 outubro 2016
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O resveratrol, um composto natural encontrado no vinho tinto e uvas, pode ajudar no desequilíbrio hormonal presente nas mulheres com síndrome do ovário poliquístico, sugere um estudo publicado no “Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism”.
 

As mulheres com síndrome do ovário poliquístico, a principal causa de infertilidade nas mulheres, apresentam níveis mais elevados de testosterona e outras hormonas androgénicas, comparativamente com as mulheres sem esta síndrome.
 

Os níveis elevados destas hormonas nas mulheres com síndrome do ovário poliquístico podem contribuir para a presença de períodos menstruais irregulares ou ausentes, infertilidade, aumento de peso, acne ou excesso de pelos na face e corpo. Adicionalmente, as mulheres afetadas por esta condição são mais propensas a desenvolver outro tipo de problemas de saúde, como é o caso da diabetes.
 

O resveratrol, um antioxidante presente em muitas plantas, é um tipo de polifenol denominado fitoalexina. A fitoalexina é uma substância produzida como parte do sistema de defesa das plantas contra as doenças. O resveratrol é produzido pelos tecidos de plantas em resposta a uma invasão por fungo, ao stress, lesão, infeção, e tem propriedades anti-inflamatórias.
 

O vinho tinto, as uvas, as framboesas, os amendoins, e muitas outras plantas contêm níveis elevados deste antioxidante. Vários estudos têm demonstrado que o resveratrol está associado a um menor risco de doença arterial coronária e cancro.
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, contaram com a participação de 30 mulheres com síndrome do ovário poliquístico. As participantes foram convidadas a ingerir, diariamente e ao longo de três meses, 1.500 miligramas de resveratrol ou de um placebo.
 

No início e no fim do estudo foram retiradas amostras de sangue para determinar os níveis de testosterona e outras hormonas androgénicas. As mulheres foram também submetidas a um teste de tolerância à glucose para avaliação dos fatores de risco para a diabetes.
 

O estudo apurou que os níveis de testosterona diminuíram 23,1% nas mulheres que receberam o resveratrol. Por outro lado, as participantes do grupo placebo apresentaram um aumento de 2,9% nos níveis desta hormona. Verificou-se também uma diminuição de 22,2 % nos níveis de sulfato de dehidroepiandrosterona, uma hormona que o organismo pode converter em testosterona, nas mulheres do grupo do resveratrol. O grupo do placebo teve um aumento de 10,5% nos níveis de sulfato de dehidroepiandrosterona.
 

Para além do resveratrol moderar as hormonas androgénicas, este antioxidante também melhora os fatores de risco da diabetes. No grupo de resveratrol, os níveis de insulina em jejum diminuíram 31,8% durante os três meses do estudo.
 

Os investigadores também constataram que as mulheres que ingeriram resveratrol tornaram-se mais sensíveis à insulina.
 

Antoni J. Duleba conclui que estes resultados sugerem que o resveratrol pode melhorar a capacidade de o organismo utilizar a insulina e diminuir potencialmente o risco de diabetes. Desta forma, este tipo de suplemento pode ajudar a diminuir o risco de problemas metabólicos comuns nas mulheres com síndrome do ovário poliquístico.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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