Síndrome de Tourette: agressividade é um mito

Estudo do Hospital de Psiquiatria Pediátrica de Vadaskert

22 setembro 2016
  |  Partilhar:

Apesar da crença generalizada, os indivíduos com síndrome de Tourette não são mais agressivos que a restante população, defende um estudo apresentado no Congresso do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia.
 

A síndrome de Tourette é conhecida por estar associada a um comportamento impulsivo e por vezes problemático. Esta imprevisibilidade, juntamente com movimentos involuntários e uma tendência a dizer coisas que são ofensivas ou fora de contexto contribuiu para a crença de que os indivíduos com síndrome de Tourette são agressivos.
 

Para o estudo os investigadores do Hospital de Psiquiatria Pediátrica de Vadaskert, em Budapeste, na Hungria, contaram com a participação de 87 pacientes com síndrome de Tourette, 161 com distúrbio do défice de atenção e hiperatividade e 494 da população clínica geral. Os investigadores tiveram também acesso a dados de indivíduos saudáveis.
 

Todos os pacientes foram submetidos a uma série de testes, que avaliaram dois principais aspetos de agressão: "fria" em que a agressão era calculada, insensível e sem emoções ou "quente" realizada de uma forma impulsiva e explosiva.
 

O estudo apurou que os pacientes com síndrome de Tourette eram menos agressivos, tendo em conta a agressão quente e fria, do que população clínica geral ou os pacientes com distúrbio do défice de atenção e hiperatividade. Os traços de agressividade eram comparáveis às da população controlo saudável.
 

A média das pontuações de agressão avaliada pelos pais foi de 25 para as crianças com síndrome de Tourette, e 23,5 para os controlos saudáveis, enquanto para a população psiquiátrica infantil foi de 35,1 e de 36,9 para os pacientes com distúrbio do défice de atenção e hiperatividade.
 

A média das pontuações de agressão por autoperceção foi de 9,5, tanto para os pacientes com síndrome Tourette como para os controlos saudáveis. Contudo, as pontuações para a população psiquiátrica infantil e para aqueles com distúrbio do défice de atenção e hiperatividade foram bem mais elevadas: 14,3 e 14,1, respetivamente.
 

Péter Nagy, o líder do estudo, refere que este trabalho mostra que os pacientes com síndrome de Tourette não são mais agressivos que a população geral. Estes podem apresentar tiques motores, como caretas ou movimentos com os braços, ou certos tiques vocais, e as pessoas por vezes assumem que esta é uma expressão de agressividade reprimida. Mas este não é, de facto, o caso. Na verdade, o problema não é de agressão, mas de compreensão. Os pacientes com síndrome de Tourette necessitam de apoio e aceitação, não de rejeição ou medo.
 

Josefina Castro-Fornieles, da Universidade de Barcelona e membro do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia, refere que é necessário aumentar o conhecimento das famílias, dos professores e dos profissionais de saúde primários sobre os sintomas da síndrome de Tourette, para melhorar a compreensão da doença.
 

“Este tipo de estudo pode ajudar-nos a desmitificar algumas das ideias erradas que tanto os profissionais de saúde como a sociedade têm sobre esta condição. Isto é especialmente importante se considerarmos as consequências psicossociais em crianças e adolescentes”, conclui a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.