Síndrome de pânico: identificado gene responsável

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

03 dezembro 2013
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Investigadores espanhóis identificaram, pela primeira vez, o gene responsável pela suscetibilidade à síndrome de pânico, dá conta um estudo publicado no “Journal of Neuroscience”.
 

Os ataques de pânico são os principais sintomas da síndrome do pânico. Estes podem durar vários minutos, ser súbitos e repetidos. Os pacientes que sofrem desta condição têm uma reação física semelhante ao confronto com um perigo real, a qual envolve palpitações, suores frios, tonturas, falta de ar, náuseas e dor no estômago. Adicionalmente estes indivíduos sentem-se continuamente ansiosos com a perspetiva de sofrer outro ataque.
 

Esta é uma doença que tem uma base neurológica e genética e há já algum tempo que a comunidade científica tenta encontrar os genes que estão envolvidos no seu desenvolvimento. Neste estudo, os investigadores do Centre de Regilació Genòmica, em Espanha, descobriram que o gene NTRK3, que codifica uma proteína essencial para a formação do cérebro, para a sobrevivência dos neurónios e pelas ligações que estes estabelecem entre si, é também um fator genético de suscetibilidade à síndrome de pânico.   
 

“Verificámos que a desregulação do NTRK3 produzia alterações no desenvolvimento do cérebro que conduzia a um mau funcionamento do sistema de memória associado ao medo”, explicou, a líder do estudo, Mara Dierssen.
 

O medo é processado por diferentes regiões do cérebro, no entanto o hipocampo e amígdala desempenham papéis essenciais. Por outro lado, o hipocampo é responsável pela formação de memórias e pelo processamento da informação contextual, o que significa que as pessoas podem ter medo de estar em locais em que podem sofrer um ataque de pânico. A amígdala é importante na conversão desta informação numa resposta fisiológica ao medo.
 

Apesar de estes circuitos estarem ativos em todas as pessoas, neste estudo foi observado que nos indivíduos que sofrem de síndrome de pânico há uma ativação exagerada do hipocampo e uma alteração da ativação do circuito da amígdala, o que resulta na formação exagerada de memórias de medo.
 

Atualmente não existe cura para esta doença, sendo esta tratada com fármacos que bloqueiam sintomas mais graves, assim como terapia cognitiva, a qual ajuda as pessoas a aprender a lidar com os ataques de pânico. No entanto, de acordo com os autores do estudo, este tipo de fármacos têm muitos efeitos adversos e a psicoterapia não está especificamente direcionada para os momentos específicos envolvidos no processo de formação e esquecimento das memórias de medo.

 

“Neste estudo definimos um mecanismo para estas memórias de medo que poderá ajudar no desenvolvimento de novos fármacos e também na identificação dos momentos chave para aplicação da terapia”, conclui um dos autores do estudo, Davide D'Amico.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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