Síndrome de pânico e o “alarme de sufocação”

Estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”

03 dezembro 2014
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Investigadores americanos dão mais um passo na compreensão da síndrome de pânico, uma forma severa de ansiedade na qual os indivíduos afetados sentem um medo repentino que é acompanhado por sintomas físicos profundos de desconforto, dá conta um estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”.
 

Dois dos sintomas mais comuns deste tipo de ataques de ansiedade severos incluem a sensação de falta de ar e de sufocamento. Estudos anteriores têm demonstrado que respirar ar com níveis aumentados de dióxido de carbono pode despoletar ataques de pânico na maioria das pessoas com esta síndrome e não nos indivíduos saudáveis.
 

Contudo, o mecanismo através do qual o dióxido de carbono produz estes efeitos ainda não está esclarecido. Uma das teorias é que a síndrome de pânico envolve um "sistema de alarme de sufocação" extremamente sensível no cérebro que evolui para proteger as pessoas de ficarem sufocadas. Os ataques de pânico ocorrem quando este alarme é ativado através de sinais, como o aumento dos níveis de dióxido de carbono, para impedir a sufocação.
 

Estudos anteriores realizados em ratinhos já tinham demonstrado que a proteína ASIC1atuava indiretamente como um sensor do dióxido de carbono na amígdala, que tem um papel importante na perceção do perigo e do medo, e que o gene ASIC1 regulava a ansiedade induzida pelo dióxido de carbono
 

Neste estudo, os investigadores da Escola de Medicina de Harvard, nos EUA, estudaram a versão humana do gene ASIC1, o ACCN2, tendo-o genotipado e comparado as suas variantes em 414 indivíduos com síndrome de pânico e em 846 indivíduos saudáveis. Noutro grupo de pessoas saudáveis, os investigadores utilizaram a genotipagem e imagens imagiológicas para analisar possíveis associações genéticas com o volume da amígdala e a sua função em 1.048 e 100 indivíduos saudáveis, respetivamente.
 

O estudo apurou que diferentes formas ou variantes do gene ASIC1 parecem estar associadas à síndrome de pânico. O efeito foi mais forte naqueles em que os ataques de pânico tiveram sintomas respiratórios proeminentes, incluindo falta de ar e de sufocação.
 

Os investigadores também constataram que as variantes do gene ASIC1 associadas ao pânico estão envolvidas tanto no tamanho da amígdala como na sua maior resposta à ameaça emocional, mesmo nas pessoas sem transtorno do pânico.
 

“Os nossos resultados sugerem que o gene ASIC1a é um gene de risco para a síndrome de pânico, assim como para a estrutura e função da amígdala e sua reação à ameaça”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Bruce M. Cohen.
 

De acordo com os investigadores, estes resultados também sugerem que fármacos que inibam ou modelem a ASIC1a podem ser úteis no tratamento do pânico ou de outras formas de ansiedade e medo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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