Síndrome de Marfan: nova alternativa de tratamento

Estudo publicado no “New England Journal of Medicine”

21 novembro 2014
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Investigadores americanos encontraram uma opção de tratamento para a síndrome de Marfan tão eficaz quanto a terapia padrão para retardar a dilatação da aorta, a maior artéria do coração que leva o sangue a todo organismo, dá conta um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.
 

Os indivíduos com síndrome de Marfan têm tecidos conjuntivos débeis e tendem a desenvolver braços, pernas e dedos anormalmente longos. Além de problemas cardíacos, os pacientes desenvolvem muitas vezes problemas nos olhos, pulmões, ossos e articulações. Estes pacientes encontram-se também em elevado risco de morte súbita, devido à condição conhecida por dissecção aórtica, a qual é provocada quando o revestimento interno da parede da aorta se rasga.
 

Apesar de não existir cura para a síndrome de Marfan, o tratamento com betabloqueadores e cirurgia preventiva para substituir a seção da aorta adjacente ao coração aumentaram a esperança de vida para um valor quase normal. Contudo, os médicos continuam à procura de terapias mais eficazes, uma vez que, em alguns pacientes os betabloqueadores produzem efeitos colaterais como cansaço e náuseas.
 

Foi neste contexto que os investigadores os Instituto Nacional de Saúde, da Escola de Medicina de Harvard e do Hospital Pediátrico de Boston, nos EUA, decidiram comparar o efeito do betabloqueador Atenolol com um bloqueador de recetor de angiotensina, o Losartan.
 

O estudo incluiu 608 pacientes com síndrome de Marfan que tinham entre seis meses e 25 anos de idade e apresentavam aortas dilatadas. Metade dos pacientes foi submetida à terapia a experimental, com Losartan, e a outra metade à terapia padrão, com Atenolol. Esta última terapia foi administrada em doses mais elevadas do que as habituais, de forma a verificar se havia um aumento da eficácia dos betabloqueadores.
 

Após terem acompanhado os participantes ao longo de três anos, os investigadores verificaram que não havia diferenças entre os dois grupos no que diz respeito à taxa de dilatação da aorta. Os dois grupos também apresentaram taxas de dissecção aórtica semelhantes, bem como um número semelhante de cirurgias necessárias para reparar este evento, e ainda igual número de mortes.
 

Este estudo demonstrou que os pacientes tratados com Atenolol ou Losartan apresentavam taxas muito baixas de crescimento da aorta, sendo ambos os fármacos bem tolerados.
 

“Apesar dos betabloqueadores serem o tratamento de eleição para esta condição, estes resultados sugerem que devem ser utilizadas doses eficazes. Descobrimos também uma alternativa eficaz para o reduzido número de pacientes que é intolerante aos betabloqueadores”, conclui um dos investigadores, Alan C. Braverman.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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