Síndrome de fadiga crónica é causada por alteração da flora intestinal?

Estudo publicado na revista “Microbiome”

01 julho 2016
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Investigadores constaram que os pacientes com síndrome de fadiga crónica apresentam uma flora intestinal alterada, dá conta um estudo publicado na revista “Microbiome”.
 

A síndrome de fadiga crónica também conhecida por encefalomielite miálgica é uma condição caracterizada por extrema fadiga a qual não melhora com descanso. Os indivíduos afetados por esta condição apresentam, para além da fadiga, um sono pouco repousante, dores de cabeça, dores nas articulações, garganta e nódulos linfáticos, bem como problemas de concentração e memória e exaustão severa após exercício ou esforço mental.
 

Uma vez que os sintomas da síndrome de fadiga crónica são semelhantes a muitas outras doenças, esta condição pode ser difícil de diagnosticar. Por outro lado, o facto de não se conhecer a causa da doença também dificulta o diagnóstico.
 

Na verdade a comunidade científica ainda não conseguiu apurar o que desencadeia esta síndrome de fadiga crónica. Porém, alguns investigadores têm sugerido que esta é uma condição psicossomática, ou seja que é causada por ansiedade, stress ou outros fatores psicológicos.
 

Contudo, o estudo elevado a cabo pelos investigadores da Universidade de Cornell, nos EUA, vem contrariar esta hipótese uma vez que verificaram que os pacientes com esta condição têm uma flora intestinal alterada.
 

De forma a chegarem a esta conclusão, os investigadores, liderados por Maureen Hanson, analisaram amostras de sangue e fezes de 48 pacientes com síndrome de fadiga crónica e 39 indivíduos saudáveis.
 

O estudo apurou que, comparativamente com amostras de fezes dos indivíduos saudáveis, as amostras dos pacientes com síndrome de fadiga crónica apresentavam uma flora intestinal menos diversificada, menos bactérias anti-inflamatórias e mais bactérias pró-inflamatórias.
 

Adicionalmente, os investigadores verificaram que as amostras de sangue dos pacientes apresentavam marcadores de inflamação. Isto pode ser resultante de o facto de as bactérias entrarem na circulação devido ao intestino ficar permeável, tendo sido desencadeado por problemas intestinais. Quando este tipo de bactérias entra na corrente sanguínea desencadeia uma resposta imunitária que pode agravar os sintomas.
 

Com base na informação obtida, os investigadores foram capazes de diagnosticar corretamente a síndrome de fadiga crónica em 83% dos pacientes. Estes resultados podem conduzir ao desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico e tratamento.
 

“No futuro, podemos ver esta técnica como um complemento de outros métodos de diagnóstico não invasivos, mas se tivermos uma ideia mais clara do que está a ocorrer na flora intestinal e nos pacientes, talvez os médicos possam considerar alterar as dietas, utilizando prebióticos como fibras alimentares ou probióticos para ajudar a tratar a doença ", conclui o primeiro autor do estudo, Ludovic Giloteaux.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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