Síndrome de fadiga crónica associada a alterações cerebrais

Estudo publicado na revista “Plos One”

28 maio 2014
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A síndrome de fadiga crónica está associada a alterações que envolvem circuitos cerebrais que regulam a atividade motora e a motivação, sugere um estudo publicado na revista “Plos One”.
 

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, nos EUA, a síndrome de fadiga crónica é uma doença caracterizada por fadiga intensa que não melhora com o repouso e pode piorar com a prática de exercício físico ou stress mental.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Emory, nos EUA, constataram que comparativamente com os 41 indivíduos saudáveis, os 18 pacientes com esta síndrome apresentavam uma menor ativação dos gânglios da base. Esta diminuição da atividade dos gânglios foi também associada com a severidade dos sintomas de fadiga.
 

Os gânglios da base são estruturas cerebrais, que se acreditam que sejam responsáveis pelo controlo de movimentos e respostas a recompensas, assim como funções cognitivas. Muitas doenças neurológicas conhecidas, como a doença de Parkinson e Huntington, implicam uma disfunção nos gânglios da base.
 

Estudos anteriores, realizados pela mesma equipa de investigadores, constataram que os indivíduos que tomavam interferão alfa para o tratamento da hepatite C, a qual pode induzir fadiga severa, também apresentavam uma diminuição de atividade dos gânglios da base. O interferão alfa é uma proteína produzida naturalmente pelo organismo, que está envolvida na resposta inflamatória contra a infeção viral. Por outro lado, a inflamação também tem sido associada à fadiga noutros grupos de indivíduos, como os sobreviventes ao cancro da mama.
 

Os investigadores referem que alguns estudos já tinham sugerido que a resposta aos vírus poderia estar na base de alguns casos de síndrome de fadiga crónica. “Os nossos dados apoiam a ideia de que a resposta de o sistema imune aos vírus poderá estar associada à fadiga, afetando o cérebro através da inflamação”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Andrew Miller.
 

As implicações destes novos achados no tratamento desta condição podem incluir a utilização de medicamentos capazes de alterar a resposta imune através do bloqueio da inflamação ou administração de fármacos que aumentem a função dos gânglios da base, concluíram os investigadores.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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