Síndrome de Down: composto reverte défices

Estudo publicado na “Science Translational Medicine”

10 setembro 2013
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Investigadores americanos identificaram um composto que reforça dramaticamente a memória e aprendizagem de ratinhos com síndrome de Down, dá conta um estudo publicado na “Science Translational Medicine”.
 

A “maioria das pessoas com síndrome de Down têm uma área do cérebro, o cerebelo, 60% inferior ao tamanho normal”, revelou em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Roger Reeves. “Tratámos os ratinhos com síndrome de Down com um composto que pensávamos que normalizava o crescimento do cerebelo, e de facto funcionou perfeitamente. O que não estávamos à espera era dos seus efeitos na aprendizagem e memória, que habitualmente são controlados pelo hipocampo e não pelo cerebelo”, acrescentou o investigador.
 

Os investigadores do Johns Hopkins e do National Institutes of Health, nos EUA, explicam que a síndrome de Down ocorre quando as pessoas possuem três, em vez de duas cópias do cromossoma 21. Como resultado desta trissomia, os indivíduos afetados têm cópias extra em cerca de metade dos genes encontrados neste cromossoma.
 

Neste estudo foram utilizados ratinhos com características similares aos indivíduos com esta síndrome, incluindo um cerebelo relativamente pequeno, dificuldade de aprendizagem e de se recordarem como navegar através de um ambiente familiar.
 

Os investigadores centraram-se numa via bioquímica, Sonic Hedgehog, que está envolvida no crescimento e desenvolvimento do cérebro. Foi injetado um composto ativador desta via, apenas no dia do nascimento dos animais, quanto o cerebelo ainda estava em desenvolvimento. “Fomos capazes de normalizar o crescimento do cerebelo até à idade adulta apenas com uma injeção”, disse Roger Reeves. Foi também verificado que os ratinhos tratados com o composto apresentavam capacidades semelhantes aos animais saudáveis no que diz respeito à orientação no espaço.
 

Os autores do estudo alertam para o facto deste composto não ser ainda seguro para ser utilizado em indivíduos com síndrome de Down. Na verdade, a alteração desta via tão importante pode ter efeitos em todo o organismo, como o aumento do risco de cancro através de um crescimento inapropriado. Para já os investigadores vão-se focar no potencial desta estratégia, estudando formas mais seguras de aproveitar o poder desta via no cerebelo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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