Síndrome de Asperger não está associada à violência

Condição não explica massacre ocorrido

19 dezembro 2012
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Apesar da comunicação social ter avançado que o indivíduo envolvido no tiroteio que ocorreu na passada sexta-feira numa escola do Connecticut, nos EUA, sofria de síndrome de Asperger, os especialistas vieram a público afirmar que esta condição não está associada à violência.

 

“Não há realmente nenhuma evidência que associe o autismo ou a síndrome de Asperger à violência", revelou em comunicado de imprensa um professor de psiquiatria da University of North Caroline, Geraldine Dawson.
 

De acordo com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, a síndrome de Asperger será em breve incluída na categoria dos distúrbios do espetro autista, os quais são caraterizados pela dificuldade na interação social e tendência para adotar um comportamento repetitivo. No entanto, segundo esta bíblia da psiquiatria não há nenhuma associação entre esta síndrome e a violência.
 

Os ex-colegas do autor do massacre, Adam Lanza, revelaram que este era tímido, reservado e não se sentia integrado. De acordo com os especialistas, estas podem ser características dos pacientes com síndrome de Asperger.
 

Os indivíduos que sofrem de distúrbios do espetro autista, incluindo aqueles com síndrome de Asperger, podem apresentar comportamentos agressivos quando comparados com os seus pares, mas não do tipo de agressão testemunhada na passada sexta-feira.
 

“Os estudos referem que os atos de agressão entre os pacientes com distúrbios do espetro autista podem ocorrer com uma frequência 20 a 30% maior do que nas pessoas saudáveis. Contudo, este tipo de agressão nada se assemelha a tipo de violência planeada e intencional que ocorreu em Newton”, explicou Erice Butter, professor de pediatria e psicologia da Ohio State University, nos EUA.
 

“A agressão envolvida no autismo é descrita como um comportamento perturbado e irritável, o qual é consistente com as dificuldades de comunicação e socialização sentidas por este tipo de pacientes. Quando não se consegue comunicar, tendencialmente as pessoas sentem-se frustradas, com raiva e agressivas. Mas nenhuma destas características são comparáveis com o planeamento e execução de um crime”, acrescentou Eric Butter.
 

O tipo de violência que ocorreu em Newtown e em outros locais é da responsabilidade de “indivíduos com uma vasta gama de perfis psicológicos. Na verdade, ainda não fizemos o suficiente nas escolas e nos sistemas de saúde mental para identificar, este tipo de pacientes”, revelou ainda Eric Butter.
 

"Sempre que ocorre uma tragédia como esta, as pessoas tentam encontrar respostas para o sucedido. Mas se de fato este individuo sofria de síndrome de Asperger, esta informação não vai ajudar a perceber o que ocorreu, pois realmente não há nenhuma associação entre esta doença e o crime cometido”, conclui Geraldine Dawson.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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