Síndroma da classe económica: Três companhias em tribunal
16 julho 2001
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Três passageiros moveram hoje uma acção judicial na Austrália contra três companhias aéreas internacionais por falta de informação suficiente sobre a denominada "síndroma da classe económica".
 

 

Numa acção que advogados descreveram como sem precedentes, os queixosos acusam as transportadoras aéreas KLM (holandesa), Qantas (australiana) e British Airways de não terem alertado os passageiros para os perigos desta síndroma, por vezes contraída por passageiros inactivos e que se manifesta através de uma trombose - formação de um coágulo de sangue nas veias ou nas artérias, podendo provocar a sua obstrução.
 

 

Os três queixosos, que colocam igualmente em causa os serviços de controlo da aviação civil australiana, fizeram-se representar perante o Tribunal do Estado de Victoria, em Melbourne, por um escritório de advogados especializado em acções colectivas.
 

 

O advogado Paul Henderson afirmou que os três casos poderão abrir um precedente internacional, fixando para o futuro o papel dos transportadores face a condições potencialmente mortais.
 

 

"Pensamos que cada caso está justificado e tem probabilidades de ganhar", disse Henderson aos jornalistas.
 

 

Os queixosos são a sul africana Debbie Daniels, que afirma ter sofrido lesões cerebrais em consequência de uma hemorragia contraída após um voo, no final de 1998, Naomi Forsyth, 21 anos, que contraiu um coágulo de sangue numa das pernas durante um voo, em Novembro de 1999, e Lawrie Gillot, 55 anos, que ficou com um coágulo de sangue num pulmão depois de ter voado entre Melbourne e Londres, em Agosto passado.
 

 

Henderson afirmou que os queixosos "assaltaram" o seu gabinete após a morte de uma jovem de 28 anos, Emma Christofferson, em Outubro de 2000, no decorrer de um voo de 20 horas entre a Austrália e a Grã-Bretanha.
 

 

Um australiano jogador de cricket, Corey Richards, 25 anos, declarou hoje ter estado à beira da morte depois de ter sido alvo de uma trombose após um voo entre Londres e Sidnei.
 

 

Segundo o advogado, é pouco provável que as audiências comecem nos próximos 18 meses.
 

 

Num desenvolvimento paralelo relacionado com este problema, um cientista colombiano e dois médicos anunciaram em Março terem concebido um aparelho (pacemaker) para as pernas que estimula a circulação sanguínea, prevenindo a síndroma da classe económica, a trombose que afecta os passageiros dos voos de longo curso.
 

 

Jorge Reynolds e os cirurgiões de Bogotá Jorge Hernando Ulloa Herrera e Jorge Ulloa Domínguez investigavam há dois anos a coagulação e criaram um aparelho que detecta o problema que afecta os passageiros de aviões, e até de autocarros.
 

 

O engenheiro e perito em cardiologia explicou que "este fenómeno mundial, conhecido como a doença do passageiro da classe económica, é um problema sobre o qual não se conhecem estatísticas relativas ao número de mortes provocadas".
 

 

"Em Espanha realizou-se um grande estudo sobre este problema e os cardiologistas espanhóis lideram movimentos para acompanhar o problema", disse Reynolds.
 

 

Segundo Reynolds, conhecido pelas suas investigações sobre os sons emitidos pelas baleias e pelos seus contributos para as tecnologias cardíacas, o pacemaker venoso para viajantes, que pode ser colocado sobre os tornozelos, funciona por meio de eléctrodos que estimulam o sistema circulatório e previnem a formação de coágulos.
 

 

O engenheiro indicou que, em 90 por cento dos casos, a síndroma regista-se nas extremidades inferiores, detectando-se sintomas parecidos em quem permanece sentado durante muito tempo, já que a inactividade e o ângulo do corpo reduzem a velocidade de circulação.
 

 

Os criadores do engenho testaram-no em voluntários que se submeteram às condições de voo, constatando uma optimização da circulação sanguínea e ausência de inchaço nos membros inferiores.
 

 

"A ideia é que quem se sente durante muito tempo utilize este aparelho e não se preocupe com mais nada", acrescentou.
 

 

Sobre o nome do aparelho, Jorge Reynolds, que há anos idealizou o pacemaker cardíaco, afirmou não ser acidental, já que a denominação se aplica a qualquer método de estimulação de qualquer sistema, como por exemplo o endócrino (ligado à produção hormonal) ou para a doença de Parkinson, em substituição do mecanismo natural do coração.
 

 

Lusa
 

 

 

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