Sida: Rastreio nacional nas universidades com dados preocupantes

HIV também aumenta entre os idosos

02 dezembro 2004
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Os jovens universitários portugueses têm comportamentos de risco nas relações sexuais. As autoridades de saúde estão preocupadas e temem pelo «futuro desta população no que diz respeito às infecções de transmissão sexual».  Esta é uma das conclusões do rastreio da Comissão Nacional de Luta Conta a Sida (CNLCS) realizado a quase cinco mil pessoas. O estudo não detectou nenhum caso de HIV/sida, mas, a análise aos comportamentos revelou resultados preocupantes. Em Fevereiro, o rastreio estende-se à população em geral.Dos jovens inquiridos, 83,4% já tiveram relações sexuais - 5,7% antes dos 15 anos -, mas apenas 46,1% recorreram ao preservativo. Questionados sobre se usaram protecção no último contacto sexual, quase 40% responderam negativamente. A agravar o risco de contágio pelo HIV é o facto de muitos terem tido múltiplos parceiros: 18% cinco ou mais. No que respeita à última relação com um parceiro não habitual, 10% dos inquiridos afirmaram não ter usado protecção.A CNLCS não tem dúvidas em caracterizar os comportamentos desta população como de «elevado risco» - maior nos homens do que nas mulheres e nos grupos etários mais elevados.  Se, por um lado, não foi detectado HIV/sida a nenhum dos jovens que se apresentaram voluntariamente para fazer o rastreio, o facto de muitos não se precaverem nos relacionamentos poderá ter consequências no futuro.  Dos 4693 universitários entre os 18 e os 24 anos que se submeteram a análises ao sangue, 15 tinham hepatite C e oito hepatite B, esta última beneficiando de haver uma vacina, administrada a 75% dos jovens inquiridos. Foram ainda identificados três casos de sífilis, uma doença considerada como sentinela para o HIV/sida.Quase todos os inquiridos (98,7%) sabem que o risco de transmissão do HIV é menor se usarem preservativo e 75,7% afirmam já ter tido aulas de informação/esclarecimento sobre a doença. Mas este conhecimento não se traduz numa maior prevenção. Um nível de informação que é mais baixo na população geral, tendo em conta o inquérito recente coordenado pelo sociólogo Fausto Amaro e os dados dos Centros de Aconselhamento e Diagnóstico (CAD), já divulgados pelo DN. Exemplo: se quase 20% dos portugueses acreditam que o HIV/sida se transmite na partilha de refeições, este número baixa para menos de 10% nos jovens.Perigo entre os mais velhosO aumento do número de casos de Sida em idosos contribui para a grande incidência da infecção em Portugal, e está a ser «auxiliado» por medicamentos como o Viagra, de acordo com especialistas.A propósito do Dia Mundial de Luta contra a Sida, quarta-feira, a agência Lusa questionou especialistas sobre o facto de Portugal ser dos países da Europa com mais casos, coincidindo todos na ideia de que há informação mas não uma mudança de atitudes.Jorge Cardoso, psicólogo e sexólogo, professor do Instituto Superior de Ciências da Saúde, considera que o facto de terem surgido no mercado medicamentos para combater a falta de erecção (Viagra é o mais conhecido) levou a que muitos homens voltassem a ter uma vida sexual activa, ainda que recorrendo por vezes à prostituição.Justifica o especialista que, nos casais em que o homem toma Viagra «a maior parte das mulheres já se fechou para a sexualidade», pelo que ele procura o sexo comercial.Fontes: Público, DN e Lusa

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