SIDA: Mulheres são grupo mais vulnerável e estigmatizado

Relatório “Diagnóstico da Infeção VIH/SIDA: representações e efeitos nas condições laborais”

01 agosto 2011
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As mulheres são, na generalidade, um grupo mais vulnerável e essa característica acentua-se quando são portadoras do vírus VIH/SIDA, uma doença estigmatizante e causa de despedimentos, defendeu a presidente da Liga Portuguesa contra a SIDA.

 

A propósito do relatório “Diagnóstico da Infecção VIH/SIDA: representações e efeitos nas condições laborais” da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA, Maria Eugénia Saraiva apontou que a vulnerabilidade das mulheres é um “dado constatado sempre” nos relatórios intercalares e finais da Liga.

 

“O que é certo é que as mulheres já são por si um grupo mais vulnerável e muito mais discriminado. Não é só em relação a este aspecto, sabemos que temos ainda diferenças de género que são notórias e depois muito mais quando estão associadas e são potenciadas por uma doença que para muitos está relacionada com a falta de conhecimento”, apontou a presidente da Liga.

 

De acordo com o relatório, as mulheres (30 por cento) e os trabalhadores com menos habilitações literárias (44,4 por cento) são quem mais frequentemente é despedido quando optam por revelar à entidade patronal que são portadores do vírus HIV/SIDA.

 

Para o estudo foram questionadas 1.634 pessoas e, destas, 242 revelaram à entidade patronal serem portadores do vírus. 159 pessoas (65,7 por cento) revelaram que o patrão foi compreensivo, mas 22,7 por cento foram despedidas ou despediram-se por pressão da entidade patronal.

 

Na opinião de Maria Eugénia Saraiva, as mulheres acabam por optar por não revelar o seu estado clínico e “muitas vezes nem sequer mudam de emprego porque têm de começar o processo do princípio”.

 

“Preferem muitas vezes não terem de fazer testes, muitos dos empregos pedem testes médicos e isso assusta as pessoas porque elas têm o direito de reservar a sua saúde e porque têm medo que isso seja associado a qualquer tipo de comportamento”, explicou.

 

A presidente da Liga lembrou que da mulher é esperado que seja “primeiramente mãe, esposa, amiga e só depois é que se lembram que têm uma carreira profissional”.

 

“A mulher continua com uma diferença face ao homem, é um grupo vulnerável, muito mais se estiver infectada com uma doença que tem associada um vírus social. Isto é uma bola de neve, leva à exclusão social e a uma maior pobreza”, alertou Maria Eugénia Saraiva.
Para a presidente da Liga, trata-se de uma questão de direitos humanos que não existiria se todo o patronato respeitasse a capacidade de trabalho de cada pessoa e não visse a doença como um factor determinante na altura da contratação.
 

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