Sida está a alastrar entre os mais jovens

Doença contamina um adolescente a cada 14 segundos, diz ONU

08 outubro 2003
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Os números são assustadores e alarmantes. Todos os dias, cerca de seis mil pessoas com idade entre os 15 e 24 anos são contaminadas com o vírus da sida, de acordo o Fundo nas Nações Unidas para a população. Diz a ONU que uma pessoa jovem é infectada com o HIV a cada 14 segundos.
 

 

Se o vírus começou por infectar a população adulta, agora são os mais novos os grandes afectados. Metade das novas infecções são agora de pessoas com menos de 25 anos e a maioria é formada por mulheres de países em desenvolvimento.
 

 

Thoraya Ahmed Obaid, directora do fundo, disse à BBC ser necessária uma acção urgente para combater o que ela descreve como uma «catástrofe global».
 

 

O relatório, chamado «O Estado da População Mundial», mostra que aproximadamente metade da população do mundo tem menos de 25 anos e que 87 por cento vivem em países em desenvolvimento. Nesta faixa etária, uma em cada quatro pessoas, ou 238 milhões em números absolutos, vivem em pobreza extrema e sobrevivem com menos de um euro por dia.
 

 

Aproximadamente 57 milhões de jovens do sexo masculino e 96 milhões do feminino, com idades entre 15 e 24 anos, não sabem ler e escrever. E mais de 13 milhões de crianças com menos de 15 anos perderam o pai, a mãe ou os dois vítimas da Sida.
 

 

O relatório ainda sugere que a pobreza, analfabetismo e falta de apoio do Estado, combinados, ajudam a espalhar o HIV entre os jovens.
 

 

«A Sida tornou-se uma doença de pessoas jovens, inflamada pela pobreza, falta de igualdade entre homens e mulheres e uma severa falta de informação e serviços», disse Obaid. É que, explica a responsável, « os jovens não têm acesso a informações básicas sobre saúde sexual e sobre prevenção da gravidez precoce, HIV/Sida e outras infecções sexualmente transmissíveis.»
 

 

O trabalho ainda revela que as mulheres representam dois em cada três pacientes com Sida no mundo. Na África subsaariana, o número sobe para 67 por cento. Na Ásia, as mulheres são 62 por cento dos infectados. E muitas mulheres dos países em desenvolvimento não estão aptas a proteger-se contra a doença, segundo adianta o relatório.
 

 

Em muitos casos, elas não sabem como se propaga a doença. Na Somália, por exemplo, apenas 26 por cento das mulheres já ouviram falar de Sida, e apenas um por cento delas sabe como se proteger. Outras simplesmente não têm o poder de negociar com o parceiro o uso do preservativo ou a falta de desejo sexual.
 

 

Estudos recentes no Quénia e na Zâmbia revelaram que as mulheres casadas estão mais expostas à Sida que as solteiras.
 

 

O relato ainda alerta para a necessidade de melhores programas de saúde sexual, melhores serviços públicos e mensagens sobre sexo seguro destinadas aos mais novos. «É necessário muito mais apoio para a educação sexual e programas de prevenção do HIV para jovens dentro ou fora das escolas.»
 

 

E lança um alerta: «O mundo não pode tomar meias medidas enquanto a Sida se espalha entre as novas gerações. Esta não é apenas uma questão de saúde pública, mas uma catástrofe global que necessita de uma acção global urgente.».
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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