Sida: cura poderá estar no reforço imunitário

Investigação divulgada no “Clinical Infectious Diseases”

15 abril 2015
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Um novo estudo realizado por uma equipa multinacional revela que o sistema imunológico humano tem a capacidade de lidar com grandes picos de atividade do VIH (vírus da imunodeficiência humana), abrindo novas perspetivas para uma possibilidade de cura para a sida.
 
A estratégia passa por estimular o sistema imunológico com uma vacina e, de seguida, “acordar” o vírus da sida adormecido para que as células imunitárias identifiquem e eliminem o VIH. 
 
Apesar de esta abordagem se mostrar promissora na teoria, desconhecia-se se o sistema imunológico humano teria capacidade para controlar o vírus da sida após este ser reativado por completo. 
 
A investigação levada a cabo por cientistas da Universidade de Oxford, Reino Unido, e da Universidade da Carolina do Norte, EUA, centrou-se no caso de um londrino de 59 anos considerado um “controlador de elite”, ou seja, uma pessoa cujo sistema imunológico é capaz de manter o vírus da sida controlado durante um longo período de tempo sem necessitar de tratamento. Este tipo de pacientes representa apenas 0,3% do total de pacientes com sida. 
 
O paciente em causa além de seropositivo possuía ainda um mieloma, isto é, um cancro da medula. Para o tratamento desta última condição, a medula do paciente foi completamente removida e substituída por células estaminais do próprio. Quando a medula foi retirada, o sistema imunológico do paciente ficou gravemente comprometido, permitindo que o vírus da sida ficasse novamente ativo e se replicasse. O vírus aumentou de 50 para cerca de 28 mil cópias por mililitro de sangue.
 
Quando o sistema imunitário do paciente retomou a sua função normal, duas semanas após o transplante, os níveis de VIH no sangue diminuíram abruptamente. O sistema imunitário do paciente combateu o vírus da sida a um nível semelhante ao dos mais potentes fármacos existentes, fazendo baixar a contagem para 50 cópias por mililitro ao fim de seis semanas.
 
“O nosso estudo demonstra que o sistema imunológico pode ser tão poderoso quanto os mais potentes cocktails de fármacos”, explica um dos autores do estudo, Ravi Gupta.
 
De acordo com os autores, este estudo permitiu medir a potência necessária para manter o VIH sob controlo, além de identificar as células imunitárias implicadas no processo, o que pode ser importante para desenvolver novos tratamentos.
 
Apesar de se tratar de um estudo baseado num caso único e invulgar, e de os resultados desta investigação requererem cuidado na sua interpretação, Deenan Pillay, um dos autores refere, em comunicado, que “são muitas vezes os pacientes fora do comum que nos ajudam a perceber o processo da doença da sida”. 
 
“A demonstração, mesmo que apenas de um único sujeito, de que o nosso sistema imunitário pode rapidamente controlar o VIH-1 diz-nos muito acerca dos tipos de respostas imunológicas que devemos focar e aumentar através de vacina”, acrescentou Nilu Goonetilleke, outro autor do estudo.
 
Os investigadores acrescentam que ainda está por testar a hipótese de utilizar uma vacina para dotar o sistema imunológico de indivíduos normais da potência imunológica encontrada em “controladores de elite”. Portanto, apesar de este estudo representar uma prova de princípio e de os resultados serem promissores, os cientistas acham pouco provável que estes resultados possam dar origem a uma cura da sida pelo menos na próxima década.  
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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