Sida: Bebés de mães infectadas devem iniciar tratamento à nascença

Comissão Europeia aconselha terapias anti-retrovirais

20 junho 2002
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O uso de terapias anti-retrovirais nos bebés, desde a nascença, contribuirá para reduzir a menos de 02 por cento o risco de transmissão do vírus HIV entre mãe e filho, anunciou a Comissão Europeia em Bruxelas.
 

 

O objectivo principal da terapia anti-retroviral é retardar a progressão da imunodeficiência e/ou restaurar, tanto quanto possível, a imunidade, aumentando o tempo e a qualidade de vida da pessoa infectada.
 

 

Segundo a Comissão Europeia, a ausência de medidas preventivas e a não utilização de terapias anti-retrovirais adequadas - durante a gravidez, o parto e no período subsequente - fazem com que o risco de transmissão do vírus HIV entre mãe e filho varie entre os 15 e os 20 por cento.
 

 

Contudo, estudos mais recentes feitos a nível europeu indicam que esse risco pode reduzir-se a "menos de 02 por cento" se forem adoptadas medidas preventivas e usadas terapias anti- retrovirais naquelas três fases (gravidez, parto e pós-parto).
 

 

A realização de testes de despistagem da SIDA pelas mulheres grávidas (e, se possível, pelos parceiros) e a possibilidade de as mães seropositivas optarem por dar à luz através de cesariana - por "estar demonstrado" que reduz o risco de transmissão do vírus - são duas das propostas indicadas pela Comissão.
 

 

Uma "forte recomendação" para as mães seropositivas não aleitarem os bebés e o recurso a terapias anti-retrovirais durante a gravidez, ficando o tipo de tratamento e a sua realização dependentes do estado clínico das grávidas, são outras sugestões avançadas.
 

 

Os estudos em causa foram realizados por 15 equipas médicas europeias, que trabalharam em conjunto para encontrar as melhores sugestões no sentido de reduzir a transmissão da SIDA entre mães e filhos.
 

 

"O HIV não conhece fronteiras e precisamos de juntar os melhores especialistas para lutar contra a epidemia e encontrar os tratamentos apropriados", afirmou o comissário europeu da Investigação.
 

 

Philippe Busquin observou ainda que "a definição das linhas orientadoras para o tratamento do HIV que limitarão os riscos de transmissão do vírus entre mãe e filho constitui um bom exemplo das vantagens da cooperação científica a nível comunitário".
 

 

Combate à doença
 

 

A Comissão Europeia, que também contribui para o combate contra a SIDA nos países em desenvolvimento, decidiu dar grande prioridade a essa luta no quadro do seu programa-quadro de investigação europeia para o período 2002-2006.
 

 

Na Europa há 560.000 doentes com SIDA, enquanto continua a aumentar o número de pessoas infectadas anualmente. Entre as cerca de 30.000 que contraíram a doença em 2001, 25 por cento eram mulheres.
 

 

A nível mundial, segundo dados das Nações Unidas, estima-se que 40 milhões de pessoas estejam infectadas com o HIV, das quais 17,6 milhões mulheres.
 

 

Em 2001, entre os cinco milhões de pessoas que ficaram infectadas havia 1,8 milhões de mulheres e 800 mil crianças com menos de 15 anos.
 

 

Dos três milhões de mortos por causa da SIDA em 2001, 580 mil eram crianças com menos de 15 anos e 1,1 milhões eram mulheres.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

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