SIDA: abrem-se mais portas para as terapias preventivas

Estudo revela como ocorre a infecção dos linfócitos T

11 dezembro 2001
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Um grupo de investigadores americanos conseguiu obter imagens do vírus HIV no momento em que este se liga a duas proteínas que o «ajudam» a infectar os linfócitos T. Bill Weis e seus colaboradores pensam que estas imagens poderão ser a base de futuras terapias preventivas contra a contaminação por este vírus.
 

 

Os linfócitos T são um dos vários tipos de células do sistema imunológico e constituem o alvo de destruição do HIV. Um dos grandes objectivos actuais da comunidade científica que se dedica ao estudo do vírus HIV é compreender os mecanismos moleculares inerentes à infecção das células T, na esperança de poderem desenvolver tratamentos inovadores e mais eficazes e, quem sabe, evitar a infecção pelo vírus.
 

Foi nesse sentido que o grupo de trabalho de Bill Weis, da Stanford University, California (EUA), se dedicou ao estudo de duas moléculas, designadas DC-SIGN e DC-SIGNR que parecem aumentar a eficiência do vírus HIV na invasão dos linfócitos T.
 

 

Como é que estas moléculas contribuem para a invasão dos linfócitos T pelo HIV?
 

 

Segundo o coordenador deste estudo, a molécula DC-SIGN encontra-se à superfície das células dos tecidos que revestem o colo uterino, o útero e o recto, locais por onde pode ocorrer a transmissão do HIV por via sexual. Por outro lado, a DC-SIGNR é encontrada nas células que revestem os capilares sanguíneos dos nódulos linfáticos e da placenta. A presença desta molécula nas células dos capilares da placenta está relacionada com a transmissão do vírus ao feto.
 

 

De acordo com Weis, qualquer tratamento que interfira na interacção do vírus da SIDA com qualquer destas moléculas reduzirá a quantidade de vírus nas células T, a eficiência ou até mesmo a probabilidade da infecção.
 

 

A última edição da revista científica Science contém o artigo que relata esta investigação. Os investigadores conseguiram imagens da interacção do HIV com a DC-SIGN e a DC-SIGNR recorrendo às técnicas de cristalografia de raios X.
 

 

Weis e seus colaboradores constataram que as duas moléculas têm regiões que reconhecem pontos específicos do vírus, mais especificamente, um oligassacarídeo (açúcar) que se encontra ligado a uma proteína existente na superfície do vírus.
 

 

Os cientistas concluíram que esses pontos «representam um possível alvo para novas terapias anti-HIV, destinadas a quebrar ou até mesmo impedir a ligação das moléculas DC-SIGN e DC-SIGNR ao vírus.»
 

 

Novas terapias de prevenção
 

 

Para que novas abordagens deste tipo sejam possíveis, este grupo de trabalho defende que será imprescindível a colaboração de especialistas em química para criar uma nova geração de medicamentos terapêuticos capazes de bloquear a capacidade do HIV se ligar àquelas moléculas.
 

 

No entanto, Weis, em declarações à Reuters Health, realça que «um tratamento como o idealizado resultaria numa terapia preventiva da infecção e/ou contaminação pelo HIV e não num terapia curativa da SIDA.»
 

 

No entanto, o mesmo cientista acredita que uma abordagem deste tipo poder-se-á tornar num instrumento extremamente útil na redução das infecções pelo HIV. Embora essa probabilidade ainda «não pareça muito provável, pelo menos nos tempos mais próximos», comentou.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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