Siamesas unidas pela cabeça separadas com sucesso

Última operação realizada ontem na Califórnia

06 agosto 2002
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Maria Teresa e Maria de Jesus Quiej-Alvarez, as gémeas siamesas guatemaltecas, de apenas um ano de idade, que estavam unidas pela cabeça, foram ontem separadas com sucesso no Centro Médico da Universidade da Califórnia.
 

 

O delicado e longo processo de separação cirúrgica durou mais de 20 horas e foi apoiado por uma equipa de 50 médicos e enfermeiras. Ainda ontem, as crianças foram levadas para a unidade de cuidados intensivos daquele hospital.
 

 

Primeira etapa
 

 

Embora ontem tenha sido a última etapa que culminou com a separação efectiva, a primeira fase ocorreu a 24 de Julho, quando uma equipa de
 

cirurgiões plásticos prepararam o tecido de pele usado na reconstrução da parte superior das cabeças das bebés.
 

 

Nessa mesma altura, os médicos inseriram «balões» sob o couro cabeludo das crianças e injectaram, gradualmente, pequenas quantidades de substância salina a fim de estender a pele.
 

 

No final da tarde de segunda-feira, os neurocirurgiões removeram um pedaço de osso do crânio conjunto para investigar as conexões de veias entre os cérebros e tentar separá-los.
 

 

Depois da operação...
 

 

Com o processo finalizado, a equipa médica não pára de tecer elogios à própria equipa, mas, o sucesso desta delicada intervenção, deve-se especialmente à biologia das próprias crianças.
 

 

Exames médicos mostraram que ambas possuem cérebros independentes, de tamanho e estrutura normais, e que os dois órgãos estão separados por uma membrana. Isto significa que os cirurgiões não precisaram cortar tecido cerebral. E as artérias que levam o sangue para os cérebros também estão separadas.
 

 

No entanto, os cérebros estão ligados por duas veias, que escoam o sangue, e estas tinham que ser refeitas - um processo que poderia ter provocado um derrame, segundo os médicos.
 

 

Acidente esperado
 

 

Apesar de ter corrido tudo bem. Poucas horas depois de ser operada, Maria Teresa voltou ao bloco operatório, devido a um coágulo sanguíneo no crânio. Segundo um comunicado do Hospital da Universidade da Califórnia, esta complicação não foi necessariamente inesperada. Para um dos médicos da equipa, Jorge Lazaroff, trata-se um problema que pode ser resolvido e a cirurgia pode ser bem sucedida
 

 

Enquanto isso, a outra gémea, Maria Jesus, está na Unidade de Cuidados Intensivos e o seu quadro evolui positivamente.
 

 

Maria Teresa e Maria de Jesus nasceram em 25 de Julho de 2001, numa região rural da Guatemala. A mãe, dona-de-casa, e o pai, agricultor, não tinham possibilidades económicas para submetê-las à operação.
 

 

Mas, a organização sem fins lucrativos Healing the Children, de Washington, providenciou a viagem da família para Los Angeles, e a cirurgia, de 1,5 milhão de dólares, está a ser coberta por doações da comunidade.
 

 

Explicações da ciência
 

 

A hipótese de gerar gémeos siameses é extremamente rara e ocorre em um a cada cem mil nascimentos.
 

 

Os gémeos siameses, ou gémeos unidos congenitamente, são produtos de um único ovo fertilizado. O desenvolvimento do embrião começa a dividir-se em gémeos idênticos dentro de duas semanas após a concepção. Entretanto, os processos param antes de se completarem, deixando um ovo parcialmente separado que se desenvolve em feto unido ao outro.
 

 

Estima-se que entre 40 a 60 por cento dos bebés siameses em todo o mundo nasçam mortos. A taxa de sobrevivência de gémeos unidos ronda entre 5 a 25 por cento. Os registos históricos dos últimos 500 anos mostram que cerca de 600 pares de gémeos sobreviveram, sendo que 70 por cento resultaram em gémeos do sexo feminino.
 

 

Caso tenham órgãos separados, as possibilidades de sobreviveram a uma cirurgia são maiores que se dividirem os mesmo órgãos. Embora não se saibam bem as razões, os números mostram ainda que os gémeos siameses nascem mais em África e Índia do que na China e Estados Unidos.
 

 

A História do nome
 

 

O termo "siameses" foi denominado em alusão aos irmãos
 

Chang e Eng, nascidos em 1811 no Sião, actual Tailândia.
 

 

Chang e Eng nasceram ligados pelo apêndice, mas o que aparentemente poderia ter originado duas vidas difíceis, na verdade, não o foi. Os dois fizeram inúmeras tournés em circos por todo o mundo e chegaram até a exibir os seus corpos ao rei da China.
 

 

Ganharam muito dinheiro e aos 32 anos casaram-se com um par de irmãs. Cada um tinha a sua casa separadas por uma distância de dois quilómetros e meio. Mas a distância não os impediu de terem, cada um, sete filhos. As visitas às respectivas famílias eram distribuídas de modo equitativo de três em três dias. Chan, mais temperamental que Eng, começou a beber de um modo descontrolado e, aos 59 anos, ficou paralítico. Quatro anos depois, durante a noite, morreu. Eng partiu três horas depois.
 

 

Mais informações sobre o assunto: http://www.conjoined-twins.i-p.com
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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