Sexo foi o motor da sida em África

Investigadores minimizam seringas infectadas na propagação do vírus

09 fevereiro 2004
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Uma equipa de quinze investigadores minimiza o papel das seringas não esterilizadas na propagação da sida em África, afirmando que esta se deveu sobretudo às relações sexuais não protegidas, informa a revista médica The Lancet.Num artigo da edição de sábado daquela revista britânica, os peritos consideram simplista e com implicações «perigosas» um estudo publicado no ano passado pelo norte-americano David Gisselquist no International Journal of STD & AIDS, órgão da Sociedade Real de Medicina Britânica, segundo o qual 40 por cento das infecções se deviam a seringas contaminadas.Há poucos responsáveis pela saúde pública que não reconheçam a necessidade de eliminar as seringas não esterilizadas (nos casos de vacinas, antibióticos, recolhas de sangue...), afirmam o investigador George Schmid, da Organização Mundial de Saúde (OMS), e colegas da ONUSIDA (agência da Onu) e dos CDC (Centro de Controlo de Doenças dos EUA).«Mas o modo como David Gisselquist e colegas reduzem a importância da transmissão sexual poderá entravar os esforços para controlar esta forma de transmissão do vírus da sida (HIV) na África subsaariana», escrevem os autores do estudo.Dão como exemplo o facto de a Comissão de Saúde e Educação do Senado dos Estados Unidos ter realizado audições para decidir se o programa de luta contra a sida devia investir mais em programas para reduzir a utilização de seringas sujas. E estes peritos apontam como «grande defeito» da teoria do grupo de Gisselquist o facto de «as injecções intramusculares não esterilizadas (reutilização de seringas e agulhas) serem menos frequentes do que julgam em África».Além disso, adiantam, estes materiais de injecção não são normalmente contaminados pelo sangue após a utilização e raramente pelo HIV, sendo que a limpeza generalizada das agulhas e seringas reutilizadas (lavagem e aquecimento) destrói o vírus. Outro argumento que aduzem é o facto de a seropositividade das crianças (por definição sem vida sexual) não ser significativa.A equipa de George Schmid admite ser necessário reduzir a exposição à infecção transmitida pelo sangue durante os cuidados médicos e defende novos estudos para melhor «identificar esses riscos no sistema de cuidados convencionais e informais (caso dos curandeiros)».Fonte: Lusafyf

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