Severidade da insuficiência cardíaca associada à diabetes

Estudo publicado na revista “Diabetologia”

23 maio 2014
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O aumento da severidade da insuficiência cardíaca está associado a um aumento do risco de desenvolvimento da diabetes, dá conta um estudo publicado na revista “Diabetologia”.
 

Os investigadores do Hospital Universitário de Gentofte, na Dinamarca, já tinham constatado que havia um aumento do risco da diabetes em pacientes com insuficiência cardíaca seguida de um enfarte agudo do miocárdio. Agora este estudo, levado a cabo pela mesma equipa de investigadores, teve como objetivo analisar os pacientes com insuficiência cardíaca que tivessem, ou não, tido um enfarte agudo do miocárdio.
 

O estudo contou com a participação de 99.362 pacientes. A severidade da insuficiência cardíaca foi estimada através da dose de fármacos, os diuréticos da ansa, utilizados para tratar a condição. Os participantes foram divididos em cinco grupos distintos tendo em conta a dose diária de fármaco a que estavam a ser sujeitos: o grupo 1 inclui 30.838 indivíduos e funcionou como grupo de controlo; o grupo 2 inclui 24.389 indivíduos que tomavam 40 mg ou menos; o grupo 3 inclui 17.355 indivíduos que tomavam 40-79 mg; o grupo 4 inclui 11.973 indivíduos que tomavam 80-159 mg, e por fim o grupo 5 constituído por 14.807 pacientes que tomavam 160 mg ou mais de diuréticos da ansa por dia.
 

As doses de diuréticos da ansa foram associadas, de uma forma dependente da dose, a um aumento do risco de desenvolvimento de diabetes. Comparativamente com o grupo 1 (grupo de controlo), os grupos 2, 3, 4 e 5 apresentaram um risco de desenvolver diabetes 2.06, 2.28, 2.88 e 3.02 maior, respetivamente.
 

Os investigadores também constataram que os pacientes que estavam a ser tratados com inibidores da enzima conversora da angiotensina apresentavam um menor risco de desenvolver diabetes. Foi também verificado que os pacientes que desenvolveram diabetes apresentavam um risco 16% maior de morrer, comparativamente com aqueles que não tinham desenvolvido esta doença. O aumento da severidade da insuficiência cardíaca também foi, sem surpresa, associado a um maior risco de morte.
 

“O prognóstico desfavorável resultante da associação entre a diabetes e a insuficiência cardíaca tem confundido os investigadores nos últimos 35 anos. O nosso estudo fornece dados importantes que poderão ajudar a entender o mecanismo responsável por este prognóstico desfavorável, pois talvez os pacientes mais doentes sejam aqueles que desenvolvem diabetes. Assim, a diabetes poderá em parte funcionar como marcador da severidade da insuficiência cardíaca”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Malene Demant.
 

Apesar de os investigadores não terem analisado em detalhe os mecanismos envolvidos nos efeitos mencionados, os autores do estudo apontam várias possibilidades como o facto de os pacientes com insuficiência cardíaca terem um menor distribuição de oxigénio, glucose e insulina para o tecido muscular periférico, o que poderá conduzir a um aumento da resistência à insulina, assim como uma diminuição da produção desta. Foi também sugerido que a falta de atividade física nos pacientes com insuficiência cardíaca severa, e também os potenciais efeitos secundários da toma de diuréticos da ansa.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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