Sesta reforça aprendizagem

Estudo publicado na revista “eLife”

21 outubro 2015
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As memórias associadas à recompensa são preferencialmente reforçadas através do sono. O estudo publicado na revista “eLife” defende que mesmo uma pequena sesta após um período de aprendizagem é benéfica.
 
“As recompensas podem funcionar como uma espécie de marca, selando a informação no cérebro durante a aprendizagem. Durante o sono, essa informação é consolidada favoravelmente em detrimento de informação associada a uma baixa recompensa e é transferida para áreas do cérebro envolvidas na memória de longa duração”, explica a líder do estudo, Kinga Igloi.
 
A investigadora refere ainda que os resultados agora encontrados são relevantes para compreender os efeitos devastadores que a falta de sono pode ter na aprendizagem.
 
Para o estudo os investigadores da Universidade de Genebra, na Suíça, contaram com a participação de 31 voluntários saudáveis que foram divididos em dois grupos distintos: o grupo que dormia e aqueles que permaneciam acordados. A sensibilidade dos dois grupos à recompensa foi avaliada como sendo igual. 
 
O cérebro dos participantes foi submetido a ressonâncias magnética à medida que estes iam memorizando pares de imagens. Foram apresentadas oito séries de imagens. Os voluntários foram informados que a recordação de quatro pares de imagens conduzia a uma maior recompensa. 
 
Após 90 minutos de pausa, a dormir ou a descansar, a memória dos participantes foi testada. A taxa de confiança com que estavam a dar as respostas certas também foi questionada. Os participantes foram convidados a participar num teste surpresa similar três meses depois.
 
O desempenho dos dois grupos foi melhor para os pares de imagens que tinham uma maior recompensa, embora, no geral, os indivíduos que tinham dormido tivessem obtido melhores resultados. Surpreendentemente, no teste-surpresa, realizado três meses mais tarde, os participantes que tinham dormido foram seletivamente melhores nos pares de imagens mais recompensados.
 
Os indivíduos que dormiram estavam mais confiantes em terem dado uma resposta correta durante os testes de memória, mesmo após três meses.
 
As ressonâncias magnéticas revelaram que os participantes que tinham dormido apresentavam uma maior atividade no hipocampo, uma pequena área do cérebro que desempenha um papel importante na formação de memórias. Após três meses, este mesmo grupo também apresentou uma maior conetividade entre o hipocampo, o córtex pré-frontal medial e o corpo estriado, áreas do cérebro envolvidas na consolidação da memória e processo de recompensa.
 
“Já sabíamos que o sono ajudava a fortalecer as memórias, agora sabemos que o sono também ajuda a selecionar e a reter aquelas associadas a uma recompensa”, conclui a investigadora.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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