Serotonina pode apenas aumentar paciência e não o bem-estar

Estudo publicado na revista “Current Biology”

19 janeiro 2015
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A serotonina aumenta os níveis de paciência, mas pode não aumentar os níveis de bem-estar, sugere um estudo publicado na revista “Current Biology”.
 

No estudo realizado por um grupo de investigadores da Fundação Champalimaud (Programa de Neurociências), os investigadores, liderados por Zachary Mainen, descobriram uma relação de causalidade entre a ativação dos neurónios que produzem serotonina e o tempo que esses ratos estão dispostos a esperar por uma recompensa.
 

“Este estudo permitiu também rejeitar a ideia de que o aumento de serotonina produz um efeito gratificante”, diz um comunicado da Fundação, ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

“Como se pensa que os antidepressivos aumentam os níveis de serotonina, é comum as pessoas assumirem que quanto mais serotonina os neurónios produzirem, melhor se irão sentir. O que os nossos resultados vêm demonstrar é que a história não é assim tão simples”, explicou Zachary Mainen.
 

Um das autoras do estudo, Madalena Fonseca, referiu à agência Lusa que “o aumento da serotonina aumenta a capacidade de esperar”. Contudo alertou que o estudo também não acaba com a ideia de que mais serotonina quer dizer mais bem-estar, apenas “a está a questionar”.
 

“A ideia de que a serotonina aumenta o bem-estar é baseada no facto de os antidepressivos (que atuam sobre a acumulação de serotonina) melhorarem a depressão. Mas não há nenhuma evidência de que a serotonina melhora o bem-estar”, disse a investigadora.
 

Madalena Fonseca referiu ainda que, se o aumento de serotonina ajuda na depressão, tal não significa que a falta de serotonina ajude a aumentar a depressão. Este estudo deixa a ideia de que podem ser “mais complicados” os mecanismos que levam à depressão.
 

No estudo, os investigadores ativaram os neurónios produtores de serotonina e desenvolveram uma tarefa para os ratos, na qual eles tinham de esperar por uma recompensa. Observou-se que, quando esses neurónios eram ativados, os ratos ficavam mais pacientes.
 

O estudo também demonstrou que quanto mais serotonina era produzida, mais tempo os ratos esperavam. No entanto este aumento não estava associado a uma recompensa (agradável ou gratificante), ou seja, os ratos não ficavam mais pacientes porque estavam recompensados pelo aumento de serotonina.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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