Será que a lagosta sofre na panela de água a ferver?

Estudo diz que não

06 julho 2005
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Um estudo recente vem demonstrar que as lagostas, bem como outros crustáceos, não sentem dor quando colocados na panela com água a ferver.
 

Resultados de uma investigação norueguesa ajudam a aliviar o sentimento de culpa daqueles que atiram uma lagosta, ou outro crustáceo, ainda com vida, para dentro de uma panela com água a ferver. Segundo investigadores da Universidade de Oslo estes invertebrados não sentem dor.
 

 

Aquelas reacções dramáticas que estes animais têm ao serem mergulhados em água quente são simples mecanismos de escape, e não uma resposta consciente ou indicação de dor, garantem os autores do trabalho. «As lagostas têm alguma capacidade de aprendizagem, mas não se pode afirmar que sejam capazes de sentir dor», conclui o documento.
 

 

Financiada pelo governo norueguês, a pesquisa não serve apenas para apaziguar a consciência dos cozinheiros. O principal objectivo era determinar se os invertebrados devem ser incluídos na legislação de bem-estar dos animais.
 

 

Mas o relatório já está a ser usado também para defender a indústria da pesca contra os activistas que lutam pelos direitos dos animais. A ONG Tratamento Ético para Animais tem-se mobilizado a favor das lagostas, com slogans como «Ser fervido dói, deixe as lagostas viver». O Festival da Lagosta do Maine é palco destas manifestações.
 

 

Para a activista Karin Robertson, o estudo norueguês foi feito sob encomenda para proteger a indústria da pesca. «É exactamente o que faz a indústria do tabaco: apregoar que fumar não provoca cancro», explicou a especialista.
 

 

Segundo Karin, muitos cientistas afirmam que as lagostas e outros crustáceos sentem dor. Especialistas em lagostas no Maine, ao contrário, sustentam há anos que o primitivo sistema nervoso destes animais, bem como o seu cérebro não desenvolvido, são semelhantes aos dos insectos. «Sem cérebro, não há dor», afirma Mike Loughlin, biólogo da Comissão Atlântica do Salmão, que estudou as lagostas quando frequentava a Universidade do Maine.
 

 

O estudo da Universidade de Oslo admite serem necessários mais estudos sobre o tema, lembrando que as conclusões sobre a «cozedura indolor» são preliminares.
 

 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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