Ser pai depois dos 35 é mais difícil

Danos no material genético das células de esperma aumentam com a idade

20 outubro 2002
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Os efeitos do envelhecimento sobre a fertilidade feminina já não são novidade para ninguém, mas, ao invés, sobre os homens os estudos nesse sentido não abundam.
 

 

No entanto, uma investigação recente realizada por cientistas norte- americanos afirma que, a partir dos 35 anos, as probabilidades de os homens terem filhos diminui bastante.
 

 

Investigadores da Universidade de Washington, em Seattle, descobriram que os danos no material genético que contém células de esperma aumentam com a idade. E, ao contrário de outras células do corpo, as células de esperma não têm capacidade de regeneração.
 

 

Os cientistas também descobriram que à medida em que envelhecem, os homens perdem a habilidade natural de «deitar fora» células de esperma defeituosas, conhecidas como apoptose.
 

 

Com o tempo, é muito mais provável que uma célula defeituosa de esperma fertilize um óvulo feminino. O que aumentaria o risco de aborto ou do nascimento de crianças com pequenas anormalidades, como dentes desiguais ou ossos assimétricos.
 

 

 

Ao contrário das mulheres, que já nascem com todo o reservatório de óvulos, os homens começam a produzir espermatozóides na puberdade e continuam com essa produção pelo resto da vida. Entretanto, quanto mais vivem, maior é a exposição a factores ambientais que podem provocar danos no DNA.
 

 

«Está bem documentado que o fumo, exposição a pesticidas, dependência de álcool e subnutrição podem contribuir para danos no DNA», disse Narendra P. Singh, da Universidade de Washington, em Seattle, à Reuters. Como consequência, explicou a especialista, « à medida que um homem envelhece, os espermatozóides apresentam mais quebras na cadeia de DNA.»
 

 

Antigamente, acreditava-se que danos ou mutações no DNA dos espermatozóides eram raros. E, ao contrário de outros tipos de células, os espermatozóides não conseguem reparar o dano no DNA. Agora, sabemos que os espermatozóides podem acumular danos no DNA e, nos homens mais velhos, estes danos parecem ser mais graves, acrescentou Singh.
 

 

A equipa examinou o esperma de 60 homens entre 22 e 60 anos e constatou que os que tinham mais de 35 anos apresentavam maior concentração de esperma com defeitos no DNA. Em geral, adiantaram os cientistas, o esperma dos homens mais velhos é bem menos activo e tem menos probabilidades de fertilizar óvulos.
 

 

«A segunda conclusão importante do estudo é que a capacidade de eliminar os espermatozóides danificados ou não saudáveis é reduzida com a idade», explicou Singh.
 

 

O grau do dano no DNA varia de forma considerável, mesmo entre homens da mesma faixa etária. Para ajudar a assegurar a concepção de uma criança saudável e uma gestação sem complicações, Singh recomenda ter um filho o mais jovem possível e manter um estilo de vida e um ambiente saudáveis.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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