Sequenciado o genoma da primeira bactéria fonte de antibióticos
08 maio 2002
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O mapa genético do Streptomyces coelicolor, o primeiro organismo fonte de antibióticos a ser sequenciado, terá repercussões importantes na investigação de novos medicamentos, nomeadamente anticancerígenos, possibilitando ao mesmo tempo indicações sobre doenças como a tuberculose.
 

 

O organismo agora sequenciado pertence à família de uma bactéria comum do solo a partir da qual são produzidos mais de dois terços dos antibióticos actualmente em comercialização, segundo um artigo publicado hoje pela revista científica Nature.
 

 

No entanto, "os compostos produzidos através do Streptomyces coelicolor não são só antibióticos, mas também compostos anticancerígenos e outros", explicou à Agência Lusa Pedro Coutinho, investigador do Centro de Engenharia Biológica e Química do Instituto Superior Técnico (IST).
 

 

A Streptomyces coelicolor é "uma prima" não patogénica das bactérias (já sequenciadas) que provocam a tuberculose, a difteria e a lepra, explicou.
 

 

"O facto de pertencer ao mesmo grupo, e de ser não-patogénica permite estudar, por comparação dos respectivos genomas, os mecanismos que levaram à patogenicidade e eventualmente conduzir a novas estratégias no combate a essas doenças", considerou Pedro Coutinho.
 

 

"Estes mecanismos de patogenicidade alteram o conteúdo dos genomas e frequentemente envolvem ou a perda de genes que os torna dependentes de um organismo hospedeiro, ou o ganho de genes de virulência por transferência horizontal, já que existem várias formas de trocas de genes entre bactérias", explicou.
 

 

Os trabalhos de sequenciação do genoma do Streptomyces coelicolor, que com 7.825 genes é o maior de uma bactéria alguma vez sequenciado, foram efectuados por cientistas britânicos do Centro John Innes e do Instituto The Wellcome Trust Sanger.
 

 

A informação agora conhecida está já a ser utilizada em investigação que conduzirá ao desenvolvimento de novos tipos de antibióticos, agentes anticancerígenos e outros químicos benéficos.
 

 

Novos tipos de antibióticos são urgentemente necessários para enfrentar a crescente ameaça dos denominados "supergermes" ("superbugs").
 

 

"A grande acção dos antibióticos verifica-se sobre um leque muito vasto de bactérias, onde vão interferir nas suas funções vitais, impedindo o seu crescimento", sintetizou o cientista português.
 

 

"Estes superbugs têm mecanismos que lhes permitem resistir aos antibióticos tradicionais, e, frequentemente, contra um espectro largo de antibióticos, resistindo aos tratamentos convencionais", acrescentou.
 

 

Aliás, segundo o investigador, que tem desenvolvido estudos sobre a evolução dos genomas, "a evolução dos organismos multiresistentes tem sido um quebra-cabeças para a comunidade biomédica".
 

 

"Tem havido desde há bastante tempo um grande esforço em gerar antibióticos diferentes que possam agir sobre esses organismos, pois podem contornar as defesas contra os antibióticos tradicionais", concluiu.
 

 

O projecto de sequenciação do genoma da Streptomyces coelicolor começou em 1997 e custou 3,2 milhões de euros (mais de 643 mil contos), financiados pelo Conselho de Investigação de Ciências Biotecnológicas e Biológicas e o The Wellcome Trust.
 

 

 

Fonte: Lusa
 

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