Sequelas do passado

Médicos alemães operam gratuitamente vítimas do nazismo

14 julho 2002
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A Segunda Guerra Mundial (1939 -1945) foi o conflito que mais vítimas causou (50 milhões) em toda a história da humanidade. Ao número de mortos, teremos de acrescentar os outros milhões de pessoas que ficaram com problemas severos, decorrentes das muitas situações de guerra.
 

Os programas de trabalho forçado dos nazis movimentaram milhões de pessoas na Europa central, os quais as submeteram a condições terríveis e a uma carga excessiva de trabalho.
 

 

Com o intuito de melhorar a qualidade de vida se pessoas sujeitas a trabalho forçado durante as décadas de 30 e 40, cirurgiões alemães começaram a operar, de modo gratuito, a primeira pessoa de muitas centenas de vítimas do nazismo no Leste Europeu. Estas intervenções cirúrgicas destinam-se a recuperar problemas das articulações das pessoas afectadas por estes problemas.
 

 

A paciente operada foi obrigada a fazer trabalhos forçados numa quinta agrícola na antiga Prússia desde o início de 1942 até o Outono de 1944, antes de ser transferida para uma fábrica de geleia onde foi forçada a trabalhar. Também ela foi ferida gravemente durante uma batalha em 1945. Além dos problemas nos joelhos, essa mulher teve distúrbios na coluna e já foi submetida a várias operações.
 

 

No ano passado, cirurgiões ortopédicos da Alemanha e alguns da Áustria formaram uma fundação para ajudar essas pessoas, que ainda sofrem as consequências das terríveis condições impostas pelo regime nazi, enquanto ainda esperam a indemnização prometida pelo governo alemão.
 

 

A fundação «Solidariedade Activa», formada em 2001 pela Associação dos Cirurgiões Ortopédicos Alemães, pagou todo o tratamento de uma mulher de 78 anos que, no início deste mês, recebeu o implante de próteses nos dois joelhos, cirurgia feita segundo as técnicas mais modernas disponíveis.
 

 

Wolfram Neumann, director do Departamento de Ortopedia da Universidade Magdeburg, propôs a formação da Solidariedade Activa como presidente da associação de cirurgiões ortopédicos. Também foi ele quem realizou a primeira cirurgia.
 

 

Segundo contou à Reuters, Neumann fundou a associação para « ajudar as pessoas submetidas a trabalhos forçados na região leste -- Polónia, Rússia e Estónia. Essas pessoas ainda esperam pela indemnização, que está demorada e tem sido alvo de um longo debate», afirmou.
 

 

Além dos problemas que sofreram na infância e juventude, estas pessoas ainda vivem sequelas físicas e psicológicas marcadas pela guerra. «Muitos deles vivem na pobreza e não poderiam pagar as operações, caso já estivessem disponíveis nos seus países. Temos 100 clínicas e esperamos realizar entre 300 e 500 cirurgias por ano».
 

 

A fundação dos cirurgiões solicita às vítimas desses programas que se comuniquem com os grupos cívicos dos seus países de origem. O contacto pode ser feito entre os médicos locais e a rede da Solidariedade Activa para marcar as operações. Todos os custos são cobertos por um acordo feito entre a indústria de implantes, os médicos e as equipas das clínicas ortopédicas alemãs envolvidas no programa. Os hospitais ficam responsáveis por cobrir os custos de internação dos pacientes.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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