Sépsis: novas vias de controlo

Estudo publicado na revista “Nature”

12 julho 2016
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Investigadores americanos descobriram novas vias de controlo da sépsis e das infeções bacterianas que provocam esta condição potencialmente fatal, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 
A sépsis é a principal causa de morte dos recém-nascidos e das crianças em todo o mundo. Tal como para as infeções resistentes aos antibióticos, ainda não existe um tratamento eficaz. 
 
Estudos recentes demonstraram que perante qualquer sinal de invasão bacteriana são ativados complexos proteicos denominados inflamassomas. Esta ativação desencadeia um processo conhecido por piroptose, em que as células infetadas explodem, libertando a bactéria assim como os sinais químicos que ativam o sistema imunitário. No entanto, tem de haver um equilíbrio, porque um sinal de alarme demasiado forte pode desencadear sépsis, provocando a morte dos vasos sanguíneos e danos nos órgãos.
 
Judy Lieberman, uma das autoras do estudo, refere que o sistema imunitário tenta controlar a infeção, mas se as bactérias “ganham”, o próprio sistema imunitário pode matar o paciente. 
 
Uma vez ativados, os inflamassomas ativam enzimas, conhecidas por caspases, que dividem uma molécula denominada gasdermina D. Esta clivagem desencadeia a ativação de um fragmento da gasdermina D, o gasdermina D –NT, mas ainda não se sabe como este processo causa a piroptose.
 
Neste estudo, os investigadores do Hospital Pediátrico de Boston, nos EUA, constataram que o gasdermina D –NT funciona em duas frentes. Por um lado, perfura as membranas das bactérias que estão a infetar as células e também as mata. O fragmento também fura a membrana das células hospedeiras, conduzindo à piroptose, matando a célula e libertando a bactéria e os sinais imunitários de alarme. As células que não estão infetadas não são afetadas.
 
Os investigadores verificaram ainda que o gasdermina D –NT mata diretamente a bactéria fora das células, incluindo a Escherichia coli, Staphylococcus aureus e Listeria
 
Apesar de os resultados necessitarem de ser replicados em modelos animais de infeção e sépsis, os investigadores acreditam que o conhecimento deste processo poderá ajudar a tratar as infeções bacterianas perigosas. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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