Sépsis eliminada em ratinhos

Estudo publicado na revista “Immunity”

05 novembro 2013
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Investigadores portugueses conseguiram controlar a sépsis em animais, com um medicamento utilizado no tratamento do cancro. Esta descoberta, levada a cabo pela Unidade de Imunidade Inata e Inflamação do Instituto de Medicina Molecular (IMM), que poderá em breve ser testada em pessoas, pode salvar milhões de vidas se apresentar, nos humanos, os mesmos resultados que em ratinhos.
 

O investigador responsável pela descoberta, Luís Ferreira Moita, explicou à agência Lusa que o objetivo foi encontrar uma forma de compreender a sépsis e os seus mecanismos, porque se trata da “principal causa de morte nas unidades de cuidados intensivos e a terceira causa de morte hospitalar”.
 

Apesar da dimensão desta doença (que consiste numa infeção generalizada que leva à falência de órgãos), o tratamento médico continua a utilizar “os mesmos princípios de atuação de há 50 anos, baseados no controlo imediato do foco de infeção por antibióticos – cada vez mais potentes - e medidas de suporte de órgãos”.
 

Os investigadores começaram por “basear-se nos mecanismos da doença. Sabemos que há mediadores inflamatórios (substâncias no organismos) que são importantes para o início da sépsis, ou seja, a doença não acontece sem eles”, explicou Luís Ferreira Moita.
 

“Pensámos que, se, de alguma forma, pudéssemos bloquear a produção destes mediadores, poderíamos modificar a progressão natural da doença”, adiantou. Assim foram testados cerca de 2.300 fármacos aprovados para uso clínico num ensaio “in vitro” (em cultura de células), com o objetivo de observar os que modificavam a produção dos mediadores.
 

Os investigadores encontraram vários fármacos com estas características, dos quais dez foram posteriormente testados em ratinhos. Foi observado que um dos fármacos, o citoestático, utilizado no tratamento de cancros, apresentava um efeito anti-inflamatório e de proteção de órgãos, tendo também a vantagem de já ter sido aprovado.
 

A descoberta – que está patenteada e protegida em mais de 140 países – satisfez os investigadores que estão, contudo, prudentes: “Não estamos à espera de reproduzir totalmente o efeito que observámos no modelo animal, porque se isso fosse verdade estaríamos a falar de mais de um milhão de vidas que poderiam ser salvas anualmente”.
 

“Mesmo que se consiga apenas uma percentagem pequena, na ordem dos 10%, em todo o mundo, se esta terapia for aplicada estamos a falar de dezenas de milhares de pessoas que, todos os anos, podem ver as suas vidas melhoradas ou a sua vida salva”, disse.
 

Ângelo Chora, outro investigador que fez parte do projeto, disse à Lusa que o “ponto de viragem” deu-se quando foram testados os fármacos nos animais em choque sético e estes sobreviveram todos, enquanto o grupo de controlo morria em 48 horas. “Percebemos que tínhamos algo de potente, bom e especial”, contou.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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