Sensibilidade materna ao glúten aumenta risco de esquizofrenia

Estudo publicado na revista “The American Journal of Psychiatry”

15 maio 2012
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Os bebés cujas mães apresentam sensibilidade ao glúten têm um maior risco de desenvolver, mais tarde na vida, certas doenças psiquiátricas como a esquizofrenia, sugere um estudo publicado na revista “The American Journal of Psychiatry”.

 

“O estilo de vida e os genes não são os únicos fatores envolvidos no risco de desenvolvimento de doenças; a exposição a determinadas substâncias antes, durante e após o nascimento podem ajudar a pré-programar a nossa saúde na vida adulta”, refere, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Robert Yolken. “O nosso estudo é um exemplo ilustrativo disto mesmo, sugerindo que a sensibilidade a determinados alimentos antes do nascimento pode ser um fator catalisador para o desenvolvimento da esquizofrenia, ou de outras condições semelhantes, 25 anos mais tarde”.

 

As infeções e outras doenças inflamatórias que ocorrem durante a gravidez têm vindo a ser associadas a um maior risco de esquizofrenia dos filhos, mas de cordo com os autores do estudo esta é a primeira investigação que dá conta que a sensibilidade alimentar da mãe pode ser responsável pelo desenvolvimento deste tipo de doenças.

 

Para o estudo os investigadores do Karolinska Institutet, na Suécia e do Johns Hopkins Children's Center, nos EUA, analisaram 764  registos de nascimento e amostras de sangue neonatais de indivíduos nascidos entre 1975 e 1985. Cerca de 211 dos participantes desenvolveram psicoses, incluindo esquizofrenia e transtorno delirante.

 

Os níveis de IgG produzidos contra uma proteína do leite e do trigo foram medidos nas amostras nenonatais. Os anticorpos do tipo IgG são marcadores da reação do sistema imunológico despoletados pela presença de determinadas proteínas. Como os anticorpos das mães atravessam, durante a gravidez, a placenta para conferir imunidade ao bebé, um recém-nascido com elevados níveis de IgG é a prova que a mãe tem sensibilidade a determinada proteína.

 

O estudo apurou que as crianças cujas mães tinham níveis elevados de anticorpos contra a proteína do trigo apresentam um risco quase duas vezes maior de desenvolver esquizofrenia anos mais tarde, do que aqueles que tinham níveis de anticorpo considerados normais. Esta associação persistiu mesmo após os investigadores terem em conta fatores associados ao risco de esquizofrenia como, idade maternal, idade gestacional e tipo de parto. Por outro aldo, foi verificado que o risco de doenças psiquiátricas não aumentou para aqueles com níveis elevados de anticorpos contra a proteína do leite.

 

“A nossa investigação não só chama a atenção para a importância da alimentação durante a gravidez e dos seus potenciais efeitos na saúde dos bebés, como sugere uma forma barata e fácil de reduzir o risco se conseguirmos mais provas de a sensibilidade ao glúten exacerba ou conduz ao um maior risco de esquizofrenia”, conclui, o líder do estudo, Håkan Karlsson.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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