Sensibilidade ao trigo: explicação biológica encontrada

Estudo publicado na revista “Gut”

16 agosto 2016
  |  Partilhar:
Um novo estudo pode explicar por que motivo os indivíduos sem doença celíaca ou alergia ao trigo podem ter vários sintomas gastrointestinais ou extraintestinais após ingerirem trigo ou outros cereais relacionados, dá conta um estudo publicado na revista “Gut”.
 
A doença celíaca é uma doença autoimune na qual o sistema imunitário ataca erradamente o revestimento do intestino delgado após alguém, geneticamente suscetível à doença, ingerir glúten proveniente do trigo, centeio ou cevada. Isto conduz a vários sintomas gastrointestinais, incluindo a dor abdominal, diarreia e sensação de inchaço.
 
A comunidade científica tem tido dificuldades em determinar por que algumas pessoas que não têm sangue, tecido ou marcadores genéticos característicos da doença celíaca apresentam sintomas gastrointestinais semelhantes a esta doença, para além de outros sintomas como fadiga, dificuldade cognitivas ou distúrbios de humor.
 
Um das razões para esta condição, conhecida por sensibilidade ao glúten ou trigo não-celíaca, é que a exposição a estes cereais desencadeia, de alguma forma, uma ativação imunitária sistémica aguda, em vez de uma resposta imune intestinal localizada. Uma vez que não existem marcadores para a condição, não se conhece ao certo a sua prevalência, mas estima-se que afete o mesmo número de indivíduos que a doença celíaca. 
 
Para o estudo, os investigadores da Universidade de Columbia, nos EUA, contaram com a participação de 80 indivíduos com sensibilidade ao glúten ou trigo não-celíaca, 40 indivíduos com doença celíaca e 40 indivíduos controlo. 
 
Apesar de os danos intestinais extensos associados à doença celíaca, os marcadores sanguíneos da ativação imune sistémica inata não se encontravam elevados nos grupos dos pacientes com doença celíaca. Estes dados sugerem que a resposta imunitária intestinal nos pacientes celíacos é capaz de neutralizar os microrganismos ou componentes microbianos que podem atravessar através da barreira intestinal danificada, impedindo consequentemente uma resposta inflamatória sistémica contra moléculas altamente imunoestimuladoras.
 
Contudo, os investigadores verificaram que os indivíduos com sensibilidade ao glúten ou trigo não-celíaca não tinham os linfócitos citotóxicos presentes nos pacientes celíacos, mas apresentavam marcadores de danos celulares intestinais relacionados com marcadores serológicos da ativação imune sistémica aguda. Estes achados sugerem que esta ativação imune identificada na sensibilidade ao glúten ou trigo não-celíaca está associada a um aumento da deslocação de componentes microbianos e dietéticos dos intestinos para a circulação, em parte devido aos danos nas células intestinais e enfraquecimento da barreira do intestino. 
 
O estudo constatou ainda que os pacientes com sensibilidade ao glúten ou trigo não-celíaca que tinham adotado uma dieta sem trigo ou cereais relacionados, ao longo de seis meses, eram capazes de normalizar os níveis de ativação imune e os marcadores de danos celulares intestinais. 
 
Armin Alaedini, líder do estudo, conclui que estes dados sugerem que, no futuro talvez seja possível utilizar uma combinação de biomarcadores para identificar pacientes com sensibilidade ao glúten ou trigo não-celíaca e monitorizar a sua resposta ao tratamento. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.