Sem-abrigo de Lisboa recebem apoio psicológico

Projeto único presta cuidados a centenas de pessoas

07 janeiro 2014
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O Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL), antigo Hospital Júlio de Matos, disponibiliza, desde 2002, um grupo psicoterapêutico aberto a todos, às quintas-feiras, das 09:45 às 10:45. O serviço não possui listas de espera, a entrada é imediata e as inscrições diretas.
 
Segundo noticiou a agência Lusa, o grupo acompanha, desde o seu início, cerca de 800 pessoas, 300 das quais são sem-abrigo. Quase 90% das pessoas sem-abrigo são casos psiquiátricos, mas estas pessoas dificilmente aderem a serviços de saúde.
 
O responsável pelo grupo, o psiquiatra e diretor do Serviço de Psiquiatria Geral e Transcultural do CHPL, trabalha com pessoas sem-abrigo desde os anos noventa e admite que foi um passo “arrojado” criar um grupo aberto a todas e quaisquer pessoas. 
 
António Bento teve de lutar contra quem duvidava que funcionasse ou quem questionava como iria arranjar uma solução caso lhe aparecessem cem pessoas ao mesmo tempo no grupo.“Isso nunca aconteceu e o máximo que tivemos foram 65 pessoas numa manhã. Habitualmente, temos entre cerca de 20 e 30 pessoas, o que é perfeitamente comportável”, adiantou o psiquiatra.
 
O grupo já teve mais de 500 sessões e é aqui que se faz a preparação para as consultas individuais. A equipa clínica é composta por dois psiquiatras seniores e um psicólogo que, no total, já deram perto de 13 mil consultas.
 
António Bento explica que a cerca de 90% das pessoas sem-abrigo é possível fazer um diagnóstico psiquiátrico, tendo em conta que neste bolo entram as dependências com o álcool ou a droga. São os sem-abrigo que, em média, visitam o grupo com mais frequência. No total, há 210 pessoas que só foram uma vez e nunca mais voltaram, mas há também quem nunca falte, como José Manuel Lopes, com 68 anos, que vem há 13 anos.
 
Depois de muitos trabalhos e de “correr o mundo todo”, José Manuel regressa a Portugal, mas “com a cabeça um bocadinho passada”. Tem uma depressão e vê-se a viver nas ruas de Lisboa. “Chorava muito” e foi pela mão de voluntários das equipas de rua da Santa Casa da Misericórdia que se convenceu a ser tratado.
 
“Quando cheguei ao grupo não sabia quem era. Temos pessoas à nossa volta que não conhecemos de lado nenhum, mas que escutam o que a gente diz. Ajudamo-nos uns aos outros porque estamos todos no mesmo barco, não importa o problema que nos trouxe aqui”, explica José.
 
António Bento explica que a principal vantagem do trabalho feito no CHPL é que dão uma resposta imediata a todas as necessidades de psiquiatria e de saúde mental de todos os sem-abrigo. Mais do que tratar imediatamente quem chega, tenta-se criar todas as condições para que a pessoa volte de novo grupo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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