Seleneto protege coração de efeitos de enfarte

Investigação divulgada no “Critical Care Medicine”

14 abril 2015
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Os danos provocados no músculo cardíaco na sequência da interrupção do fluxo sanguíneo durante um enfarte agudo do miocárdio e as lesões de reperfusão decorrentes do restabelecimento deste fluxo podem ser reduzidos em praticamente 90% se for administrado seleneto imediatamente após o enfarte, revelam cientistas norte-americanos.
 
A isquemia, ou fornecimento insuficiente de sangue, priva os tecidos de oxigénio, o que conduz a lesões dos mesmos. No caso do coração e do cérebro, cujos tecidos requerem muito oxigénio, a falta de sangue durante apenas alguns minutos pode provocar danos irreparáveis.
 
As lesões de reperfusão consistem em danos provocados nos tecidos quando o fluxo sanguíneo é retomado após um período de isquemia. A ausência de oxigénio e nutrientes transportados pelo sangue origina condições em que a retoma da circulação sanguínea resulta em inflamação e danos oxidativos.
 
Através da utilização de dois modelos de ratinhos com lesões de reperfusão, os cientistas do Centro de Investigação Oncológica Fred Hutchinson, nos EUA, descobriram que o selénio é especialmente absorvido pelos tecidos danificados após a interrupção temporária do fluxo de sangue, à medida que, em simultâneo, os níveis de selénio do sangue diminuem.
 
Segundo Mark Roth, autor do estudo, “estes resultados sugerem que existe um mecanismo natural que aponta o seleneto aos tecidos com reperfusão recente e que os protege de danos”.
 
De forma a avaliar o papel do seleneto que é produzido naturalmente pelo organismo para a reparação de tecidos, os cientistas induziram isquemia em ratinhos, bloqueando a artéria coronal esquerda descendente anterior durante 60 minutos. O fluxo foi, de seguida, restabelecido e os níveis de selénio no sangue e no coração foram medidos duas horas mais tarde. 
 
“Observámos que quanto maior era a lesão, maior era a perda de selénio no sangue e maior era a quantidade de selénio encontrada no coração”, referiu Roth.
 
De forma perceber se a acumulação de selénio poderia ocorrer noutros tecidos danificados para além dos do coração, os investigadores repetiram a experiência no modelo de ratinho interrompendo o fluxo sanguíneo num dos dois membros posteriores. Nos cinco minutos após a retoma do fluxo sanguíneo observou-se um aumento cinco vezes superior de seleneto no membro lesionado, em comparação com os restantes membros.
 
De acordo com os autores do estudo, estes resultados revelam que o selénio endógeno é rapidamente mobilizado para ajudar a proteger os tecidos danificados quando o fluxo de sangue é restaurado.
 
Isto levou os cientistas a colocar a hipótese de que se o selénio produzido naturalmente pelo organismo fosse suplementado com um infusão de seleneto, tal poderia ajudar a proteger ainda mais os tecidos após a restauração do fluxo sanguíneo no seguimento de um enfarte.
 
Como tal, utilizando um modelo de ratinho para enfarte agudo do miocárdio, os cientistas administraram seleneto um pouco antes da restauração do fluxo sanguíneo e descobriram que este reduziu os danos provocados no coração em 88%. 
 
Dois dias após a isquemia cardíaca, os cientistas avaliaram a função cardíaca dos ratinhos através de um ecocardiograma. Aqueles que tinham recebido uma dose de seleneto após a isquemia e antes da reperfusão apresentaram melhorias estatísticas significativas da função cardíaca.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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