Segurança dos transgénicos continua por demonstrar

Cientistas põem em causa a sua inocuidade

12 dezembro 2013
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Um número crescente de cientistas e especialistas têm subscrito uma Declaração Conjunta que defende que a segurança dos alimentos transgénicos (OGM) continua por demonstrar.

 

A presidente da Rede Europeia de Cientistas pela Responsabilidade Social e Ambiental (ENSSER), Doutora Angelika Hilbeck, que publicou a Declaração, referiu: "estamos surpreendidos e satisfeitos pelo forte apoio que a Declaração recebeu. Parece que veio ao de cima uma preocupação sentida na comunidade científica internacional, ou seja, que o nome da ciência esteja a ser abusado para dar cobertura a uma falsa segurança da engenharia genética."

 

O comunicado enviado pela ENSSER refere que este testemunho questiona indiretamente afirmações recentes da conselheira científica principal da União Europeia, Anne Glover, que defendiam a inocuidade dos OGM.

 

“Aparentemente a Dra. Anne Glover prefere dar ouvidos a um só lado da comunidade científica – o círculo de produtores de OGM e os cientistas seus aliados – e ignora os restantes. Isso resulta numa visão tendenciosa que depois passa para a Comissão Europeia. Para alguém com funções de Conselheiro Científico, isso é irresponsável e pouco ético”, disse Doutora Rosa Binimelis, membro da direção da rede ENSSER.

 

Um dos subscritores da Declaração o Doutor Sheldon Krimsky, da Universidade de Tufts, refere que "os efeitos negativos não se resumem a cair para o lado morto depois de ter comido algum alimento geneticamente adulterado, como alguns querem fazer crer. As minhas preocupações abarcam as alterações subtis do perfil nutricional, do teor de micotoxinas e de alergénios, as práticas agrícolas insustentáveis, a dependência de agroquímicos sintéticos, a falta de transparência nas avaliações de segurança alimentar e ambiental, e ainda a despromoção dos agricultores para algo que nos traz o servos da gleba à memória, essencialmente devido à privatização monopolista do direito de acesso à semente. "

 

"Para demonstrar a segurança dos transgénicos é preciso: começar por assumir que eles possam ser perigosos, desenvolver testes sensíveis e demonstrar que não foi possível detetar nenhum problema. Tal como noutras tecnologias, como a aeronáutica e o nuclear, a indústria envolvida não pode ser a fonte oficial sobre a segurança dos seus produtos. Vou manter-me cético enquanto não for levada a cabo uma avaliação de segurança rigorosa e credível”, acrescenta ainda.

 

A Doutora Margarida Silva, bióloga e professora na Universidade Católica Portuguesa também lembra que "mesmo quando os investigadores estão todos de acordo sobre um determinado assunto isso não significa que estejam corretos: de acordo com Einstein, basta uma experiência para deitar abaixo uma teoria estabelecida."

 

"Um dos problemas da investigação sobre os riscos dos transgénicos é que tem sido feita pelas próprias empresas empenhadas na sua comercialização. Infelizmente já foi demonstrado que se dá uma erosão fatal da imparcialidade quando a ciência está à sombra do dinheiro da indústria. Se queremos mesmo saber o que os transgénicos significam para a saúde e o ambiente teremos de pedir aos poucos cientistas independentes que ainda existem nesta área para se desdobrarem e tentarem responder às questões e sinais de perigo que não param de se acumular."

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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