Segredo da vida divide cientistas

Corpo humano não foi «desenhado» para durar para sempre

02 abril 2002
  |  Partilhar:

Para viver uma média de cem anos ou mais, o corpo humano deveria ser mais pequeno, modificar as suas articulações, olhos e orelhas e desenvolver nas células substâncias especializadas para detectar e capturar toxinas.
 

 

As teorias científicas mais avançadas reconhecem que o corpo é uma espantosa máquina, mas que não foi desenhada para durar para sempre, tendo gravada, tanto por dentro como por fora, a sua data de validade.
 

 

John Wilmoth, um especialista em demografia da Universidade da Califórnia, sustenta que se pode ultrapassar a barreira dos 120 anos e que, a cada década que passa, vive-se em média mais um ano.
 

 

Por outro lado, Jay Olshansky e outros cientistas da Universidade norte-americana do Illinois defendem que, para resistir ao desgaste dessa longevidade, o ser humano teria de ser uma criatura de corpo mais redondo e com um pescoço mais forte.
 

 

Nem os olhos, nem os ouvidos, nem a caixa torácica ou a coluna vertebral, nem sequer os vasos sanguíneos, estão adaptados para suportar uma vida tão longa, afirmou Olshansky.
 

 

Outro cientista, do Instituto Buck de Investigações do Envelhecimento, na Califórnia, comprovou que o corpo humano se defronta também com problemas complicados à escala molecular.
 

 

"Existem provas claras de que o elemento oxidante dentro das células desempenha um papel chave no envelhecimento", sublinhou o bioquímico Simon Melov.
 

 

O processo de conversão do oxigénio em energia, que tem lugar na mitocôndria celular, deixa um resíduo tóxico, os radicais livres, que se não forem eliminados contribuem para a destruição de todo o sistema, opinou Melov.
 

 

Nas suas investigações, o cientista dedicou-se ao desenvolvimento de substâncias para desintoxicar as células, uma espécie de "rastreadores" que detectam as toxinas e os radicais livres e engolem-nos para os fazer desaparecer.
 

 

Outra teoria sustenta que, à medida que envelhecemos, o sistema imunológico falha e deixa de reconhecer as células do corpo humano como próprias, o que desencadeia um ataque suicida que é claramente perceptível no caso das articulações.
 

 

Por outro lado, alguns cientistas defendem que o número de respirações ou de batimentos cardíacos estão definidas de antemão, ou seja, existiria um número finito de "substâncias vitais" que, uma vez consumidas, dariam lugar ao envelhecimento e à morte.
 

 

Para a bioquímica, a chave do envelhecimento parece estar nos telómeros, as terminações dos cromossomas, cujo encurtamento dispara a ordem de morte das células.
 

 

Os cientistas desta área acreditam que, se conseguirem intervir neste processo, poderão eventualmente alongar o ciclo vital das células e prolongar a vida das pessoas.
 

 

Shirechiyo Izumi, japonês, viveu 120 anos e 137 dias até falecer em 1986, o que o torna na pessoa com maior longevidade de que há conhecimento.
 

 

As investigações sobre os hábitos quotidianos e alimentares das pessoas centenárias não revelaram até agora onde radica o segredo da vida.
 

 

Uma investigação realizada em laboratório com ratos e moscas revelou que o único factor comprovado que pode prolongar a vida é a restrição do número de calorias ingeridas.
 

 

Entre 08 e 12 de Abril, realiza-se em Madrid a II Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, que tem como desafio principal criar uma sociedade para todas as idades destinada a superar o repto do progressivo envelhecimento da população do planeta.
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

Fonte: Lusa

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.