Sedentarismo diminui volume cerebral

Estudo publicado na revista “Neurology”

16 fevereiro 2016
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A prática de pouca atividade física na meia-idade pode estar associada a um menor volume cerebral 20 anos mais tarde, sugere um estudo publicado na revista “Neurology”.
 

Os benéficos da atividade física são bem conhecidos. Na verdade, o exercício físico pode ajudar a impedir o desenvolvimento de várias condições, como doença cardíaca, diabetes, pressão arterial elevada e acidente vascular cerebral. Adicionalmente, a atividade física mantem os níveis de colesterol controlados, melhora a qualidade do sono e ajuda a impedir alguns tipos de cancro.
 

Neste estudo, os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Boston, nos EUA, constataram que a atividade física pode ajudar a manter o tamanho do cérebro nos indivíduos idosos. “Verificamos que havia uma associação direta entre uma baixa atividade física e o volume cerebral décadas mais tarde, indicador do envelhecimento acelerado”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Nicole Spartano.
 

Para o estudo os investigadores contaram com a participação de 1.583 indivíduos que tinham em média 40 anos, sem demência ou doença cardíaca, que foram convidados a fazer uma prova de esforço. Uma ou duas décadas mais tarde os participantes foram submetidos ao mesmo teste e a ressonâncias magnéticas.
 

O estudo apurou que os participantes tinham uma capacidade de exercício média estimada de 39 ml / kg / min, também conhecida como VO2 pico, ou a máxima quantidade de oxigénio utilizada por minuto. A capacidade física foi estimada com base no tempo que os participantes foram capazes de correr na passadeira antes de o ritmo cardíaco atingir um determinado nível. Verificou-se que por cada oito unidades a menos no desempenho de um indivíduo na passadeira, o seu volume cerebral era menor, duas décadas mais tarde, numa proporção equivalente a dois anos de aceleramento de envelhecimento do cérebro.
 

Quando os pacientes com doença cardíaca ou que estavam a tomar betabloqueadores foram excluídos, cada oito unidades de menor desempenho físico foram associadas a reduções do volume cerebral equivalentes a um ano de aceleramento de envelhecimento do cérebro.
 

Os investigadores também demonstraram que os indivíduos cuja pressão arterial e ritmo cardíaco aumentaram durante o exercício eram mais propensos a terem volumes cerebrais mais pequenos, duas décadas mais tarde. De acordo com a investigadora, os indivíduos com um baixo desempenho físico têm frequentemente respostas à pressão arterial e frequência cardíaca mais elevadas a baixos níveis de exercício, comparativamente com aqueles com uma melhor condição física.
 

Nicole Spartano refere que este é um estudo observacional, que não prova que um baixo desempenho físico causa perda de volume cerebral, apenas mostra que há uma associação.

 

Os resultados sugerem que a condição física na meia-idade pode ser particularmente importante para os milhões de indivíduos do mundo inteiro que já tenham evidências de doença cardíaca.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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