Sedentarismo associado à doença hepática gordurosa não alcoólica

Estudo publicado no “Journal of Hepatology”

17 setembro 2015
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Permanecer sentado durante longos períodos de tempo, assim como pouca atividade física contribui para a prevalência de doença hepática gordurosa não alcoólica, sugere um estudo publicado no “Journal of Hepatology”.
 
A atividade física é conhecida por reduzir a incidência e a mortalidade em várias doenças crónicas. No entanto, mais de metade do tempo que as pessoas estão acordadas é despendido em atividades sedentárias associadas a longos períodos de tempo sentado, como ver televisão, utilizar o computador ou outros dispositivos. 
 
Recentemente, a atenção focou-se nos efeitos nocivos do comportamento sedentário independentemente da prática de atividade física adicional. Um número crescente de estudos epidemiológicos tem sugerido uma associação entre o sedentarismo e as doenças crónicas, incluindo obesidade, diabetes, resistência à insulina, síndrome metabólico, doenças cardiovasculares, cancro e até mesmo a morte, o que difere da associação à falta de atividade física.
 
Esta associação foi ainda observada entre os pacientes com elevados níveis de atividade física moderada a vigorosa, indicando que os níveis elevados e regulares de atividade física não protegem totalmente contra os riscos associados a períodos prolongados de comportamentos sedentários. No entanto, a associação entre atividade física e a prevalência da doença hepática gordurosa não alcoólica não tem sido explorada.
 
Neste estudo, os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Sungkyunkwan, em Seoul, na Coreia do Norte, analisaram a associação entre o tempo sentado e o nível de atividade física e a doença hepática gordurosa não alcoólica, em 140 mil homens e mulheres coreanos. A presença desta doença hepática foi determinada através de ecografia.
 
O estudo apurou que, no total, 40 mil indivíduos tinham doença hepática gordurosa não alcoólica. Verificou-se que tanto o tempo de permanência sentado prolongado como a diminuição do nível de atividade física foram independentemente associados a um aumento da prevalência da doença hepática gordurosa não alcoólica. Curiosamente, estas associações também foram observadas em doentes com um índice de massa corporal (IMC) inferior a 23.
 
“Os resultados sugerem que tanto o aumento da prática de atividade física como a redução do tempo sentado podem ser independentemente importantes na redução do risco da doença hepática gordurosa não alcoólica”, referiu um dos autores do estudo, Yoosoo Chang.
 
Michael I. Trenell, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, e também especialista no modo como o estilo de vida influencia a saúde ao longo prazo, o bem-estar e as doenças crónicas, acrescentou que “a mensagem é clara, as nossas cadeiras estão lentamente a matar-nos. O nosso corpo foi concebido para se mover e não é de estranhar que o comportamento sedentário, caracterizado por baixa atividade muscular, tenha um impacto direto na fisiologia. Com a escassez de fármacos aprovados para a doença hepática gordurosa não alcoólica, as alterações no estilo de vida são a pedra basilar dos cuidados clínicos. O desafio para agora é erguermo-nos e movimentarmo-nos para fazer frente à doença hepática gordurosa não alcoólica, tanto física quanto metaforicamente".
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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