Seda estabiliza amostras de sangue ao longo do tempo e a temperaturas elevadas

Achados publicados no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

30 maio 2016
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Cientistas norte-americanos desenvolveram uma nova forma de estabilizar amostras de sangue à base da seda durante longos períodos de tempo, sem refrigeração e a altas temperaturas, revela um artigo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”. Esta técnica poderá ter várias aplicações no âmbito dos cuidados de saúde e na investigação, segundo os autores.
 

O sangue é composto por vários componentes que são frequentemente utilizados como biomarcadores no rastreio, monitorização e diagnóstico de doenças. Visto que a recolha de sangue nem sempre é realizada no ambiente controlado de um laboratório, caso a amostra não seja guardada num ambiente com temperatura controlada, estes biomarcadores podem deteriorar-se rapidamente, colocando em causa a fiabilidade dos resultados à análise do sangue. Embora existam algumas soluções que tentam ultrapassar esta dificuldade, como secar o sangue em papel, estas ainda não conseguem proteger os biomarcadores de forma eficaz do calor e da humidade.
 

Os cientistas da Universidade de Tufts, nos EUA, juntaram uma solução ou pó de fibroína purificada de seda extraída do casulo de bichos-da-seda com sangue ou plasma e secaram a mistura ao ar. As fitas de seda secadas ao ar foram depois armazenadas num local onde a temperatura variou entre os 22ºC e 45ºC. Seguidamente, de acordo com determinados períodos de tempo estabelecidos, as amostras de sangue foram recuperadas, dissolvendo as fitas em água, e analisadas.
 

Os investigadores descobriram que as amostras de sangue mantiveram os biomarcadores em condições para serem analisados mesmo após 84 dias e em temperaturas que chegaram aos 45ºC.

“O encapsulamento de amostras em seda ofereceu melhor proteção do que a abordagem tradicional da secagem em papel, especialmente nas temperaturas elevadas que será possível encontrar no transporte para o estrangeiro ou durante o verão”, adiantou Jonathan A. Kluge, primeiro coautor do estudo, em comunicado da universidade.  
 

Os autores notam ainda que a técnica baseada na seda requer que se conheça com exatidão o volume inicial de sangue ou de outras amostras, e que são necessários sais e outros tampões para a reconstrução das amostras para uma análise fiável de certos marcadores.
 

Os cientistas acreditam que “esta técnica deverá facilitar a recolha de amostras de sangue de pacientes em ambulatório para o rastreio e monitorização de doenças”, nomeadamente de populações com pouco acesso a cuidados de saúde. Além disso, os autores apontam ainda os cientistas e os profissionais de saúde sem acesso a locais de análise centralizados como outros dos beneficiários desta técnica. “Isto poderá ser útil em estudos epidemiológicos de grande escala ou em ensaios farmacológicos remotos”, exemplifica Kluge.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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