Se conduzir não fale...

... ao telemóvel!

25 outubro 2001
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Aparentemente, as leis que restringem o uso de telefones celulares durante a condução pouco contribuem para a segurança automóvel pois os condutores que utilizam sistemas mãos livres com auricular estão tão propensos a ignorar os sinais de trânsito e a ter o tempo de resposta a situações imprevisíveis aumentado como os que não utilizam o auricular.
 

 

Esta é uma das conclusões do estudo realizado por David L. Strayer e William A. Johnston, da Universidade de Utah, em Salt Lake City (EUA), que indicam que falar ao telemóvel, e não apenas segurar o aparelho e marcar o número, pode ser um entrave à concentração do condutor no trânsito.
 

 

«A nossa pesquisa sugere que o mais seguro é mesmo evitar o uso do telemóvel enquanto se conduz», afirmou Strayer numa entrevista à agência Reuters. De acordo com Strayer os condutores distraídos são a principal causa de acidentes automóveis nos Estados Unidos: «Em cada meia hora, alguém morre nas estradas porque não estava com atenção enquanto conduzia», disse ele na mesma entrevista.
 

 

O que provoca uma condução distraída
 

 

No estudo em questão, que vai ser publicado na edição de Novembro da revista Psychological Science, Strayer e Johnston analisaram os factores que contribuem para distracção dos condutores, especialmente as distracções provocadas pelas conversas ao telemóvel.
 

 

Nas experiências realizadas num simulador de condução, os investigadores testaram as respostas de um grupo de voluntários à visualização de sinais de trânsito enquanto ouviam rádio, conversavam ao telemóvel (com e sem auricular) ou escutavam uma história gravada numa cassete.
 

 

Os dois investigadores constataram que os condutores estavam duas vezes mais propensos a desrespeitar os sinais enquanto falavam pelo telemóvel do que quando ouviam rádio ou a história gravada. Além disso, mesmo quando os sinais foram respeitados, as respostas foram consideravelmente mais lentas.
 

 

De acordo com o estudo, o facto do condutor usar ou não o sistema mãos livres com auricular fez pouca diferença: as respostas foram semelhantes nas duas situações.
 

 

Num outro ensaio, Strayer e Johnston tentaram averiguar qual o aspecto do uso do telemóvel que mais contribuía para distrair os condutores.
 

 

Assim, os investigadores fizeram mais dois testes de condução. No primeiro, os condutores, sem utilizarem o auricular, repetiram algumas palavras que lhes eram ditas por telemóvel. No segundo teste, os investigadores estudaram o nível de atenção dos condutores na estrada ao mesmo tempo que brincavam com um jogo de palavras por telemóvel – como, por exemplo, pensar numa palavra começada pela última letra da anterior.
 

 

O facto de repetir as palavras ditadas não aumentou o nível de distracção dos condutores mas o mesmo não aconteceu quando tiveram de pensar em novas palavras.
 

 

Não fale ao telemóvel, mas os seus companheiros de viagem podem falar
 

 

Baseados nestes testes, Strayer e Johnston concluíram que o telemóvel, com ou sem sistema mãos livres, prejudica o desempenho na condução automóvel ao desviar a atenção do condutor quer durante a utilização do aparelho na marcação de um número ou na pesquisa de funções no menu quer durante uma conversação.
 

 

Conduzir é uma acção tão imprevisível que as pessoas cuja atenção não esteja totalmente dirigida para a condução não reagem tão prontamente a acontecimentos imprevisíveis como uma criança que surge repentinamente a correr na estrada.
 

 

Assim, de acordo com estes investigadores, as conversas ao telemóvel podem distrair os condutores, contrariamente às conversas mantidas com os outros passageiros.
 

 

De facto, e segundo Strayer e Johnston, as conversas entre o condutor e os outros passageiros do automóvel diminuem à medida que aumenta a tensão durante as situações difíceis de trânsito.
 

 

Por outro lado, a pessoa que está do outro lado durante uma conversa por telemóvel não tem consciência do grau de dificuldade das situações de trânsito. Além disso, essa pessoa pode, também, nem saber que o seu interlocutor está a conduzir.
 

 

Assim, o melhor mesmo é não atender as chamadas do seu telemóvel quando conduz. Telefone mais tarde às pessoas que o solicitarem. Sai mais caro mas sempre é mais seguro.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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